sexta-feira, 3 de abril de 2009

Lei da Selva

Deixou de coisa de mulher mal amada, para se tornar fato incontroverso, a escassez de homens certinhos, que gostem de manter um relacionamento sério e maduro. Estes deixaram de estar em fartura nas prateleiras do mercado, para ocupar lojinhas de antiguidade.

A maioria das solteiras, quando são indagadas sobre seu estado civil, refletem a razão dessa substituição súbita e gradativa dos cavalheiros pelos calhordas. Mas, verdade seja dita – acreditem, é duro admiti-la- essas relíquias masculinas estão praticamente extintas (os que sobraram viraram a casaca ou rebolam com um bambolê no dedo) por culpa do comportamento feminino, ou melhor, por conta do feminismo exacerbado pregado nas últimas décadas. Vou explicar.

As mulheres, cansadas de serem sempre tratadas com submissão por seus homens, quiseram se igualar a eles em todos os aspectos. Daí, vieram as ondas feministas e elas foram, aos poucos, ganhando seu espaço. Só que, no âmbito afetivo, a coisa degringolou. Sabe aquele dito popular “quem nunca comeu melado, quando come, se lambuza”? Pronto. Bastou um pouco de autonomia para dar azo à galinhagem desenfreada e a pegação descompromissada. Nada contra a expressão saudável da sexualidade feminina, mas algumas mocinhas passaram por cima da linha um tanto tênue que dividia direitos iguais e putaria.

Assim como a ala masculina, as mocinhas começaram também a marcar no placar quantas bocas foram beijadas (algumas à força) em uma noite, quantos machos foram comidos por elas, transformando a expressão comer em unissex. Aquelas que um dia se auto-intitularam “eu sou pra casar”, hoje se enquadram no contexto “eu quero mais é dar”.

O que acontece? Um cidadão inocente, que tinha a melhor das intenções e jamais contribuiu para a massificação social dos canalhas, foi iludido, comido e mal pago por uma dessas moças que, com ar de puta e pudor zero na consciência, passou por cima do pobre, sem dó nem piedade.

E aí, o ciclo vicioso: aquele bonzinho, arrasado por esse comportamento animal, vê que o único jeito de se sair bem nessa história e reaver sua dignidade,ou pelo menos diminuir a dor de corno, é dar o troco na mesma moeda, mas não necessariamente com a mesma mulher, que a essa hora já deve rodado a catraca mais umas 6 ou 20 vezes. Acaba, então, se juntando ao grupo dos calhordas e diminuindo as raras espécimes do sexo masculino tão procuradas pelas mocinhas sanguinárias. Afinal, liberdade só é conveniente quando diz respeito à nossa.

É a lei da selva, onde só sobrevive o homem mais canalha… e a mulher também!

Um comentário:

  1. Belo texto. “eu sou pra casar”, hoje se enquadram no contexto “eu quero mais é dar”.

    É exatamente o que muita gente pensa, mas ninguém soube como explicar tão bem quanto você, muito bom.

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