sexta-feira, 3 de abril de 2009

Acontece com todo mundo

Tem dias que você acorda e se sente a pessoa mais burra do mundo?! Não entende as piadas do seriado que reprisa mais do que Chaves do SBT ou tenta formular uma frase, que nem precisa ser tão brilhante, que sempre termina incompleta por falta de léxico?!

Comigo isso acontece. Mas, só quando a noite anterior envolveu álcool. Sim, eu sei, o álcool mata os neurônios aos poucos, mas esqueceram de dizer que também paralisa as suas funções vitais por, no mínimo, 24hs.

E quando você sai em dia útil? (sim, porque no fim de semana você até pode curtir uma ressaca tranqüila, sem se preocupar com sua eloqüência e desempenho do seu cérebro). Aí você sai numa terça-feira, totalmente despretensiosa, pensando “só vou naquele pub tomar uma cervejinha e meia- noite estarei em casa”. Ah, a doce arte de se “auto-enganar a si própria consigo mesma”.

A cervejinha está quente, ou não tem aquele rótulo alemão que você a-d-o-r-a. Seja qual for o motivo (e sempre vai existir um, acredite) você termina mudando para uma bebida mais pesada. Nessa hora, tem que levar em consideração o fator “forma de elaboração da bebida”, pois você sabe que mudar de destilado pra fermentado vai lhe custar uma ressaca homérica. Você nem cogita não beber para evitar a ressaca; Já está conformada com o fato de que vai beber. O que está em questão agora é como amenizá-la. Aí, tem que ir pro vinho. E começam os pedidos: uma garrafa de vinho pra dividir com uma amiga, mais duas garrafinhas de água sem gás (na boa, quem bebe água com gás e diz que gosta tem o paladar mais cu do mundo) pra intercalar com o vinho e não ficar tão bêbada.

Começa a brincadeira: primeiro vem a frescura de olhar a rolha, cheirar o vinho, deixar decantar, dar uma rodadinha na taça e dizer “pode servir”. Pode estar avinagrado, uma bosta, mas você nem tem noção disso, é só pra fazer a chinfra mesmo, até porque você não vai dizer ao garçom que não entende, né?! Aliás, isso é muito foda. Não é só enólogo que bebe vinho, os meros mortais também gostam e por não quererem se sentir constrangidos, terminam fazendo esse teatrinho patético para o garçom achar que você entende (ham ram, impressionar o garçom).

Daí, já passa pra segunda garrafa de vinho, porque a primeira tava boazinha e a sensação de que seus pés não são cheios de joanetes, mas de plumas e nuvens que fazem você flutuar quando anda, faz você achar que pode pedir outra. Agora, já deixaram a garrafinha de água de lado e foram pra frente do palco aparecer pro vocalista gatinho, se achando a pica de Brennand, sem ter noção de que parecem ter saído de uma festa de Halloween, com os dentes e lábios roxos.

Depois do mico todo, ainda termina se pegando com um gatinho fim de festa (sim, você também era fim de festa para ele…ou você só se tornou atrativa depois de embriagada, com a boca roxa e o bar vazio?) .O bar quase fechando, o garçom chega com a conta, quase que implorando para se livrar dessas figuras. Aí, o carinha resolve esticar a festinha no apartamento dele, e decide comprar mais uma garrafa de vinho. Você já está muito bem (bem Amy Winehouse), mas decide aceitar, até porque, no dia em que um bêbado disser que já está bêbado o suficiente e suspender a bebida, eu me interno no A.A.


Entra outra garrafa, e vem mais meia hora de conversa merda com o carinha e suas amigas (você não iria sozinha ao apartamento de um cara que acabou de conhecer, né?) e voltam às 5 horas da manhã, rezando pra sua piscada de olho não demorar mais do que 1 segundo e você enfiar o carro no poste.

Três horas de sono pesado, babando no travesseiro e o despertador toca lembrando que está na hora de se matar. Uma escola de samba dentro da sua cabeça e você tenta entrar no chuveiro pra ir trabalhar. Chega ao trabalho exalando álcool, mas super simpática porque ainda está bêbada, e acha que consegue (des)enrolar tudo . Até que bate 16hs. Pronto. O relógio pára, o Big Ben pára, até o Congresso pára e você fica puta com Cazuza porque ele te prometeu, em poesia, que “o tempo não pára”. É nessa hora que seu chefe chega e pede para você terminar um “job” ainda hoje, porque precisa ser enviado para a puta que o pariu até às 18hs! Pronto, aí vem o drama da jumentice por álcool e você manda o criador do slogan “aprecie com moderação” para a merda por não tê-lo colocado também nos rótulos de vinho.

Você espreme o cérebro, tenta extrair o sumo dos seus neurônios, toma um litro de café, mas não consegue escrever uma porra de uma frase coerente. Nem pra copiar e colar você tem discernimento. Vai escrevendo sem pensar e repetindo a palavra FUDEU seguidamente, porque a única coisa que o álcool não prejudicou foi a sua dicção.

Enfim, seu trabalho fica uma bosta, seu chefe fica puto, você fica com o moral na sarjeta, e volta pra casa ouvindo um blues melancólico. Quando chega em casa pensando que seu azar tinha se esgotado, vai no orkut procurar pelo carinha que você ficou ontem (você não lembra o nome, mas sabe que ele gravou no seu telefone e sai procurando um nome estranho na agenda, de um por um) e vê que o cara, além de ser o maior zé tabaco, gordinho e feioso, tem alguma outra doente mental na vida dele, que atende por n-a-m-o-r-a-d-a!

Aí você tira duas conclusões: uma é que burrice não se mede por QI, mas pelo nível de álcool ingerido. E a outra é que você, pelo menos, (ao contrário da namorada do zé) só fica cega quando bebe.

Um comentário:

  1. Porra, muito bom, muito bom, eu ri mto. HAHAHHAA isso é no mínimo 99,9% biografico. hahahha digo logo. A chinfra do vinho, o vacalista. Perfeito, adorei. HAHAHAHHA o Blues melancolico.

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