sexta-feira, 26 de junho de 2009

Fofinhos: um mal desnecessário

Homem é tudo farinha do mesmo saco. Toda mulher já falou e todo homem já cansou de escutar essa frase, seguida, é claro, de uma forte batida de telefone na cara. Mas, por mais brilhante e perfeita que essa frase possa parecer, ela não é de um todo verídica. Sim, porque a ala masculina que se encaixa no padrão “não valho um chiclete ploc grudado embaixo de corrimão”, comporta subdivisões. Vamos a elas.

Existe o calhorda “fraco de conteúdo” que, tendo consciência de sua incompetência em atrair mulheres e mantê-las volitivamente ao seu lado até o fim da noite, mira no alvo mais fraco do recinto. Este, geralmente, é uma ex-gordinha recém lipoaspirada que, embora possa ser inteligente e descolada, não reestruturou sua auto-estima, que varia entre -2 e -4, numa escala de 0 a 10.

De cara, o sujeito já a trata por “linda”, “princesa”, sendo o suficiente para a cidadã se achar o lançamento da temporada (embora esteja mais para uma Fanta Uva na última prateleira do supermercado) e se atirar nele, com o pensamento “balançou a rede, é gol”.

A figura do carente também é digna de nota (e de pena). De estado emocional transtornado e comportamento efusivo, ele vai em busca de uma mulher para dar e buscar afeto em doses absurdamente excessivas, sem se dar conta de que seu problema seria resolvido com uma ida ao pet shop.

Por conta disso, sua pesquisa de campo deve ser a mais minuciosa possível, porque se o cara for investir numa mulher que não seja sua alma gêmea, vai se foder bonito. Afinal, não existe coisa mais insuportável do que homem que, depois que fica com você, gruda feito piche, já escolhe o nome dos seus filhos e liga cinco minutos depois que te deixou em casa para perguntar se o percurso portaria-elevador-porta de casa foi bem sucedido. Portanto, tem que achar uma cidadã carente, do tipo recém-corneada pela irmã (ou irmão, o que é pior), que, estando totalmente desacreditada no amor e refletindo entre virar assexuada ou entrar pra um convento, resolveu se jogar na night e tentar uma última vez.

Não se pode esquecer do sonso. Aquele tipinho que a-d-o-r-a pagar de namorado perfeito, principalmente para sua família e suas amigas. Vira melhor amigo do seu irmão, sai pra beber com você e suas amigas sem nenhuma companhia masculina, vira a casaca por conta do sogro, leva os seus sobrinhos pro Gamestation dia de domingo, mas, numa segunda-feira, em horário comercial, está comendo a colega do escritório e ainda pagando amor para ela. Pudor não é nada, imagem é tudo.

Esses tipos, apesar de repugnantes, são identificáveis por qualquer mulher que já tenha uma vivência considerável, e termina não sendo muito sofrível, sendo às vezes até engraçado, conviver com eles e se livrar deles.

No entanto, existe um espécime que inferniza a vida de qualquer mulher e que tem se proliferado feito praga: o famigerado tipo fofinho. Não conheço uma menina que, uma vez envolvida, nunca se apaixonou por um. E, principalmente, nenhuma que tenha saído ilesa.

O fofinho é aquele sujeito tímido por natureza e que, por ter plena consciência do que pode conseguir com esse jeitinho, usa sua timidez em seu favor. Especialmente quando a questão é chegar em alguém. Tirando poucas ocasiões de desespero e nível acentuado de álcool no sangue, o fofinho não gosta de tomar a iniciativa. Seu approach não passa de algumas olhadas e sorrisinhos, seguidos de uma cabeça baixa. Como ele não chega perto, a mulher se aproxima e ensaia uma conversinha mediana, torcendo para ter um mínimo feedback. Nada acontece, nada evolui. O cara continua ali, rindo, o que deixa a mulher intrigada e extremamente agoniada, fazendo-a cogitar o porquê de o cidadão não se manifestar. As menos modestas chegam à conclusão (super estúpida) de que ele só não age porque não tem coragem, porém muita vontade de que ela dê o primeiro passo, afinal, o mundo de hoje é extremamente liberal e não existe nada mais moderno do que iniciar a ficada e agarrar o menino, não é?! NÃO. Por mais encabulado, quando o fofinho quer, o fofinho beija. Só que ele aprendeu, provavelmente com meninas como essa, que essa tática, além de cômoda, garante fácil pegar gente sem correr o risco de levar um não e sair de ego ferido.

Caso seja uma menina com mais discernimento, o carinha, logo que perceber isso, vai fingir ser um esforço sobre-humano unir todas as suas forças e capacidade de eloqüência para pedir um beijo, sabendo que esse pedido vai causar um efeito semelhante ao de uma caixa de Prozac, pois a maioria das mulheres acham que fazer um garoto tímido agir dessa forma é caso digno de prêmio Nobel.

Apóstolos de Roberto Jeferson, esses monstrinhos têm o magnânimo dom de virar qualquer situação a seu favor. Mesmo sendo réus confessos da maior cagada universal de todos os tempos, um simples “desculpaaa…” com aquela voz e vocabulário de criança e uma carinha de pedinte (que, em se fazendo um esforço, fica quase possível visualizar uma auréola acima de suas cabeças), é capaz de fazer não só com que sejam perdoados, como também nos fazer sentir culpadas por termos cometido o sacrilégio de brigar com aqueles seres tão puros e inocentes. Caso não convença muito, o que é quase impossível, ele acaba apelando para uma atuação teatral. Isso mesmo. Abre o berreiro e desabafa todo o amor (que poderia ter sido expressado há anos) que sente pela mocinha e confessa que sem ela seu mundo desaba. (cafona, piegas, mas o PIOR é que cola).

Isso vale para esquecimento de aniversário de namoro, bolo de compromisso inadiável e marcado com uma semana de antecedência, pegação aloprada quando vocês resolveram dar “um tempo”… e por aí vai, a depender da relação diretamente proporcional timidez x cara de pau.

Essa tática pode ser usada o quanto se fizer necessária, sem correr o perigo de ser considerada manjada, e independente de ser a mulher uma tabaca-lesa ou encarnação de Hitler.

Depois disso tudo, em meio a um surto de consciência que dura, no máximo, uma semana, a namorada decide não se sujeitar mais e terminar tudo, tentando reaver sua dignidade de volta. É aí que o fofinho se supera. Convence não só a ex, bem como todos os amigos e familiares, o quão injustiçado e desprezado foi, pela tamanha falta de tato da bruxa infeliz que não aceita seu jeito “recluso e inseguro de ser”, fazendo com que a menina seja bombardeada e tenha que ouvir desaforos do tipo “como você foi dispensar um menino bom desses?! Com esse seu gênio, vai terminar sozinha”.

Resultado: nesse momento, a namorada, com a dignidade na lama, se sente uma mula e, depois de muito tempo de reflexão, resolve voltar pro fofinho. Nesse meio tempo, o fofinho já está a perigo, soltando sorrisinhos tímidos e escolhendo a próxima patinha que vai cair no jogo dele.

Portanto meninas, no mínimo indício de qualquer dessas características, fiquem com um pé atrás: pode se tratar de um monstrinho. E caso você não perceba e venha a passar por tudo isso, ou já tenha passado, fica de lição: depois de um fofinho, você dá um nó em qualquer tipo de homem. É aposta ganha.

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