segunda-feira, 29 de junho de 2009

2 pés atrás

Eu acredito tanto em você que, se você me der "bom dia", eu vou correr até a janela para conferir se ainda está claro lá fora.

auto-sabotagem

Eu cai no seu jogo. Logo eu, toda desconfiada, toda cética, toda calejada por outros tipinhos ordinários que se aproveitaram do meu coração virgem de canalhices e me deixaram cheia de marcas e mecanismos de defesa.
Eu, que às vezes desconfio até de mim mesma, pois minha própria cabeça já me confundiu algumas vezes e me deixou desse jeito, andando como se pisasse em ovos o tempo inteiro.
Eu, que no mínimo sinal de perigo, já disparo uma sirene de ambulância dentro de mim, que me alerta para sair correndo e pular fora.
Mesmo assim, eu acreditei em você.
Óbvio que não dei ouvidos a muita coisa. Sabia que algumas palavras que saiam da sua boca, sem o menor compromisso e disparate, faziam parte do seu repertório. Mas, de alguma forma, me deixei levar.
Quando dei por mim, eu era sua, e você era apenas um personagem, com pseudo-sentimentos e frases de efeito. Mas, não foi mérito seu.
Eu é que fui tola e não percebi que, enquanto prestava atenção nos seus passos para não ser enganada por você, meu próprio coração, em conluio com meu inconsciente, já me sabotavam e estavam prestes a me trair.

domingo, 28 de junho de 2009

Pus minha mão no fogo. Sabia que poderia me queimar. Mas, curiosa e inconsequente que sou, resolvi arriscar. Resultado: queimadura em terceiro grau, embora a sensação fora como a de um balde de água fria.

Neverland

Eu não corri de você. Apenas me refugiei num lugar onde seu cheiro jamais vai alcançar. Aqui, eu não sinto sua falta. Mesmo fazendo esforço, não consigo lembrar dos seus beijos, sorrisos e nem da sua voz. Não sei mais dizer se você tem cicatrizes ou sinais no rosto. Tampouco se foi sua inteligência, doçura ou jeito que me seduziu.
Sua imagem se reduziu a um vulto cinza e embassado.
Onde eu me encontro, você é apenas ilusão. Algo que não existiu de fato, só em pensamento. E hoje, esses pensamentos sequer existem mais.
E, mesmo que um dia eu sinta necessidade de preencher algum vazio e queira lembrar tudo que representa você, vai ser impossível. Pois eu não sei o caminho de volta.
Não perca tempo tentando me achar. Não acho que você seja capaz de encontrar.
Eu fugi para a realidade, meu bem.





Racumim

Acordei sem ar, com um aperto no peito e um nó na garganta. Fiz um raio-x e vi o estrago. Coração e cabeça intoxicados. Extrai você de mim. Não tive escolha: sou alérgica a veneno para rato.


TPM

é o direito de ser bipolar, a cada mês, entre 5 e 7 dias.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

prazer de comer bem

Cozinhe
tempere
jogue pimenta
e sal à gosto

mas, depois de comer
não venha me dizer
que o gás acabou
e me negar fogo

Prendado

Pode me cozinhar
Pintar e bordar
À vontade

Só deixe avisado
quando você cansar
de brincar de dona de casa

Fora de moda

Avisem a Lispector
Que essa coisa
De gostar do que não presta
Do malfeito
E inacabado
Ficou démodé


*referência a um escrito de Clarice Lispector. Para quem não conhece:

"O que obviamente não presta sempre me interessou muito. Gosto de um modo carinhoso do inacabado, do malfeito, daquilo que desajeitadamente tenta um pequeno vôo e cai sem graça no chão"

Fofinhos: um mal desnecessário

Homem é tudo farinha do mesmo saco. Toda mulher já falou e todo homem já cansou de escutar essa frase, seguida, é claro, de uma forte batida de telefone na cara. Mas, por mais brilhante e perfeita que essa frase possa parecer, ela não é de um todo verídica. Sim, porque a ala masculina que se encaixa no padrão “não valho um chiclete ploc grudado embaixo de corrimão”, comporta subdivisões. Vamos a elas.

Existe o calhorda “fraco de conteúdo” que, tendo consciência de sua incompetência em atrair mulheres e mantê-las volitivamente ao seu lado até o fim da noite, mira no alvo mais fraco do recinto. Este, geralmente, é uma ex-gordinha recém lipoaspirada que, embora possa ser inteligente e descolada, não reestruturou sua auto-estima, que varia entre -2 e -4, numa escala de 0 a 10.

De cara, o sujeito já a trata por “linda”, “princesa”, sendo o suficiente para a cidadã se achar o lançamento da temporada (embora esteja mais para uma Fanta Uva na última prateleira do supermercado) e se atirar nele, com o pensamento “balançou a rede, é gol”.

A figura do carente também é digna de nota (e de pena). De estado emocional transtornado e comportamento efusivo, ele vai em busca de uma mulher para dar e buscar afeto em doses absurdamente excessivas, sem se dar conta de que seu problema seria resolvido com uma ida ao pet shop.

Por conta disso, sua pesquisa de campo deve ser a mais minuciosa possível, porque se o cara for investir numa mulher que não seja sua alma gêmea, vai se foder bonito. Afinal, não existe coisa mais insuportável do que homem que, depois que fica com você, gruda feito piche, já escolhe o nome dos seus filhos e liga cinco minutos depois que te deixou em casa para perguntar se o percurso portaria-elevador-porta de casa foi bem sucedido. Portanto, tem que achar uma cidadã carente, do tipo recém-corneada pela irmã (ou irmão, o que é pior), que, estando totalmente desacreditada no amor e refletindo entre virar assexuada ou entrar pra um convento, resolveu se jogar na night e tentar uma última vez.

Não se pode esquecer do sonso. Aquele tipinho que a-d-o-r-a pagar de namorado perfeito, principalmente para sua família e suas amigas. Vira melhor amigo do seu irmão, sai pra beber com você e suas amigas sem nenhuma companhia masculina, vira a casaca por conta do sogro, leva os seus sobrinhos pro Gamestation dia de domingo, mas, numa segunda-feira, em horário comercial, está comendo a colega do escritório e ainda pagando amor para ela. Pudor não é nada, imagem é tudo.

Esses tipos, apesar de repugnantes, são identificáveis por qualquer mulher que já tenha uma vivência considerável, e termina não sendo muito sofrível, sendo às vezes até engraçado, conviver com eles e se livrar deles.

No entanto, existe um espécime que inferniza a vida de qualquer mulher e que tem se proliferado feito praga: o famigerado tipo fofinho. Não conheço uma menina que, uma vez envolvida, nunca se apaixonou por um. E, principalmente, nenhuma que tenha saído ilesa.

O fofinho é aquele sujeito tímido por natureza e que, por ter plena consciência do que pode conseguir com esse jeitinho, usa sua timidez em seu favor. Especialmente quando a questão é chegar em alguém. Tirando poucas ocasiões de desespero e nível acentuado de álcool no sangue, o fofinho não gosta de tomar a iniciativa. Seu approach não passa de algumas olhadas e sorrisinhos, seguidos de uma cabeça baixa. Como ele não chega perto, a mulher se aproxima e ensaia uma conversinha mediana, torcendo para ter um mínimo feedback. Nada acontece, nada evolui. O cara continua ali, rindo, o que deixa a mulher intrigada e extremamente agoniada, fazendo-a cogitar o porquê de o cidadão não se manifestar. As menos modestas chegam à conclusão (super estúpida) de que ele só não age porque não tem coragem, porém muita vontade de que ela dê o primeiro passo, afinal, o mundo de hoje é extremamente liberal e não existe nada mais moderno do que iniciar a ficada e agarrar o menino, não é?! NÃO. Por mais encabulado, quando o fofinho quer, o fofinho beija. Só que ele aprendeu, provavelmente com meninas como essa, que essa tática, além de cômoda, garante fácil pegar gente sem correr o risco de levar um não e sair de ego ferido.

Caso seja uma menina com mais discernimento, o carinha, logo que perceber isso, vai fingir ser um esforço sobre-humano unir todas as suas forças e capacidade de eloqüência para pedir um beijo, sabendo que esse pedido vai causar um efeito semelhante ao de uma caixa de Prozac, pois a maioria das mulheres acham que fazer um garoto tímido agir dessa forma é caso digno de prêmio Nobel.

Apóstolos de Roberto Jeferson, esses monstrinhos têm o magnânimo dom de virar qualquer situação a seu favor. Mesmo sendo réus confessos da maior cagada universal de todos os tempos, um simples “desculpaaa…” com aquela voz e vocabulário de criança e uma carinha de pedinte (que, em se fazendo um esforço, fica quase possível visualizar uma auréola acima de suas cabeças), é capaz de fazer não só com que sejam perdoados, como também nos fazer sentir culpadas por termos cometido o sacrilégio de brigar com aqueles seres tão puros e inocentes. Caso não convença muito, o que é quase impossível, ele acaba apelando para uma atuação teatral. Isso mesmo. Abre o berreiro e desabafa todo o amor (que poderia ter sido expressado há anos) que sente pela mocinha e confessa que sem ela seu mundo desaba. (cafona, piegas, mas o PIOR é que cola).

Isso vale para esquecimento de aniversário de namoro, bolo de compromisso inadiável e marcado com uma semana de antecedência, pegação aloprada quando vocês resolveram dar “um tempo”… e por aí vai, a depender da relação diretamente proporcional timidez x cara de pau.

Essa tática pode ser usada o quanto se fizer necessária, sem correr o perigo de ser considerada manjada, e independente de ser a mulher uma tabaca-lesa ou encarnação de Hitler.

Depois disso tudo, em meio a um surto de consciência que dura, no máximo, uma semana, a namorada decide não se sujeitar mais e terminar tudo, tentando reaver sua dignidade de volta. É aí que o fofinho se supera. Convence não só a ex, bem como todos os amigos e familiares, o quão injustiçado e desprezado foi, pela tamanha falta de tato da bruxa infeliz que não aceita seu jeito “recluso e inseguro de ser”, fazendo com que a menina seja bombardeada e tenha que ouvir desaforos do tipo “como você foi dispensar um menino bom desses?! Com esse seu gênio, vai terminar sozinha”.

Resultado: nesse momento, a namorada, com a dignidade na lama, se sente uma mula e, depois de muito tempo de reflexão, resolve voltar pro fofinho. Nesse meio tempo, o fofinho já está a perigo, soltando sorrisinhos tímidos e escolhendo a próxima patinha que vai cair no jogo dele.

Portanto meninas, no mínimo indício de qualquer dessas características, fiquem com um pé atrás: pode se tratar de um monstrinho. E caso você não perceba e venha a passar por tudo isso, ou já tenha passado, fica de lição: depois de um fofinho, você dá um nó em qualquer tipo de homem. É aposta ganha.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

de amor, só se morre uma vez
dizia o poeta
jamais ouvi tamanha tolice, retruquei
eu mesma
já morri mais de duas
só neste último mês

combustão

fugaz
como fogo em palha seca
termina
em caixão e vela preta

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Eu não quero mais você. Agora, não mais. Eu sei que é chocante, e parece intriguinha de garota mimada só para chamar sua atenção, já que eu sempre me derreto só de ouvir sua voz e vou até você toda vez que você sinaliza me querer. Noutros tempos, ficaria uma semana em casa, enfiada embaixo do edredon, só de pensar em não te ter por perto, à minha vista ou nos meus pensamentos. Não agüentaria dizer isso assim, tão abertamente, correndo risco de nunca mais sentir você dentro de mim.


Mas, agora é diferente. Hoje eu quero ficar só e poder sentir meu coração realmente vazio. Quero ouvir Chet Baker e Radiohead e não ter ninguém em quem pensar. E, quem sabe, até sofrer por isso. Ter certeza de que “felizes para sempre” é coisa de roteirista meia boca, que não sabe como concluir uma história e empurra essa balela antes dos créditos finais só para a gente sair sorrindo do cinema e não atestar sua incompetência. Quero ter minhas noites de insônia tentando organizar a bagunça da minha vida e ver que você sequer apareceu de relance na minha faxina mental, ou que, no mínimo, foi parar embaixo do tapete, junto com as sujeirinhas que a gente nao faz questão de guardar. Quero me frustrar e perder meu dia porque não tenho mais inspiração pros meus textos tristes e melancólicos.Quero acreditar em Quintana quando ele diz que "é tão bom morrer de amor e continuar vivendo".


Só espero que esquecer você também seja somente uma questão de querer.

Da minha pior dor
És o principal culpado
então, me ajude a te esquecer
assim eu paro de escrever sobre você
e acabo de vez com essa tendinite

sexta-feira, 19 de junho de 2009

ponto de ebulição

Já me disseram que você me leva na conversa
em banho maria
eu discordo
acho que você me cozinha, sim
mas em alta potência

quinta-feira, 4 de junho de 2009

era uma vez... e nunca mais

São quase cinco da manhã. Você ainda dorme e eu preciso ir embora. Me perdoe, meu bem, mas hoje eu não vou me despedir. Antes de levantar da cama, eu não vou beijar seus olhos e esperar eles sorrirem de volta para mim, como faço quase todas as manhãs. E nem continuar ao seu lado, abraçada a você, querendo que o tempo pare naquele momento. Acredite, nada me faria mais feliz do que esperar você tirar as peças de roupa que vou vestindo, só para eu ficar deitada com você um pouco mais. Mas, eu não vou. Não dessa vez. Não vou agüentar sentir o peso dos seus olhos seguindo meus passos em direção à porta, até eu virar para trás e vê-lo me espiar, com o cobertor até o nariz.


Porque, diferente das outras vezes, eu não pretendo voltar.


A culpa não é sua. É que eu ainda não consegui distinguir quando seu “não” quer dizer sim, e quando seu “sim” não quer dizer absolutamente nada. Ou, talvez, minha cabeça esteja confusa demais para recorrer às minhas aulas de interpretação de texto do colegial e tentar decodificar suas mensagens subliminares, bem como fazer com que você entenda que “não sei” não é resposta, independentemente da pergunta que se faça.

Falta equilíbrio emocional em mim para suportar seu comportamento volúvel de menino mimado, que quer tudo, mas não sabe o que esse tudo representa.


Pode até ser que eu sinta sua falta e perceba o quão difícil é encontrar outra pessoa que agüente meus momentos de brabeza e consiga me adular até me deixar calminha e doce novamente. Mas, nesse momento, eu não tenho mais forças para catar seus defeitinhos e montar um quebra-cabeça para decifrar você, porque hoje sou eu que me encontro aos pedaços.


Por isso, dessa vez, eu vou somente olhar para trás, confirmar que seus olhos ainda estão fechados e saber que deixá-lo dormindo foi a melhor coisa que eu poderia ter feito.

Porque eu ainda não aprendi a ser amada pela metade, enquanto eu amo por inteiro.