quarta-feira, 29 de abril de 2009

Eu tive certeza. Desde aquele meio sorriso torto, puxado pro canto da boca, eu tive certeza de que você seria meu fim.
Eu queria muito estar errada e achar que era fruto dessa minha mania de gostar do que é esquisito. Torci para você ser alienado, superficial e junkie, daquele tipinho que vive em baladas e cujas programações são típicas de alcoólatras da meia idade.
Desse jeito, seria mais fácil. Não sentiria tanto a sua falta quando você resolve sumir por dias, e nem ficaria tão feliz quando você me procura depois dizendo estar com saudades. Não me sentiria uma completa idiota quando você me irrita e depois vem com palavrinhas doces e infantis. Não dormiria tão fácil só por sentir você perto. Eu, logo eu, que sofro de insônias terríveis. Não ficaria horas imaginando o que se passa na sua cabeça quando você me olha sério por minutos e não diz uma palavra. Nem passaria um segundo sequer olhando você dormir, sem me mexer para não perturbar seu sono. Muito menos demoraria tanto num abraço quanto nos que dou em você, com vontade de não largar nunca mais. Não perderia esse meu jeito sério com tanta facilidade, ficando desconcertada, só por estar ao seu lado. Mas, principalmente, não teria tanta raiva quando você tem seus ataques de grosserias fora de hora, sem motivo e sem pedir desculpas, me ignorando e deixando meu coração apertadinho de angústia e saudade.
Da próxima vez, não sorria para mim.

Crise da Baixa Estação

A Semana Santa é o prenúncio do fim do verão e também do começo de uma era de desespero, afinal, é o último feriado antes de fechar o ciclo das programações de veraneio e, com isso, a última oportunidade de descolar alguém para passar o inverno com você. É preocupante a quantidade de relacionamentos que têm início nesse período. Se você pensar direitinho, com certeza já teve algum namoro que começou nessa data. É a famosa “Crise da Baixa Estação”. Explico.

Já no início de setembro, quando o calendário anuncia a enxurrada de feriados imprensados e o buraco da camada de ozônio começa a ser notado devido ao calor descomunal que inferniza nossas vidas e transforma nossas peles em óleo de peroba, acontece um movimento diferenciado nos trópicos. As academias de ginástica começam a encher, as roupas vão diminuindo de comprimento e, coincidentemente, os namoros vão ficando balançados e chegando ao seu fim. Os neurônios, em ebulição na cachola, entram em choque, deixando as pessoas eufóricas, desesperadas por farra e no maior clima de pegação desenfreada. Está, então, declarada a abertura do verão.

Daí até o carnaval, a história é a mesma: ninguém é de ninguém, rasteira e balão é bóia e cu de bêbado não tem dono. Quem acha que nunca levou um zignaldo nesse período é porque é iludido e nunca se deu conta.

Passado esse trânsito apocalíptico, as pessoas já estão com as baterias quase no fim. Por incrível que pareça, ninguém agüenta mais cerveja quente, já está todo mundo com um bronze “errei no blush”, tipo Vera Fisher (isso se não estiver descamando, parecendo indícios de vitiligo) e as programações na praia já deram o que tinham que dar.

É neste exato momento que se considera instalada a Crise da Baixa Estação. As pessoas começam a refletir que a chegada do inverno é inversamente proporcional ao seu estado civil atual (solteiro). A simples idéia de se imaginar sozinho nessa época é capaz de gerar uma síncope nos seres humanos mais independentes e livres. Então, mulheres e homens dão inicio a uma maratona para tentar engatar algum zé perdido que também esteja no desespero (ou solidão) e deseje se comprometer. E aí vale apelar pra tudo: renovar namoro (aqueeeeeele namoro que você terminou em setembro alegando crise existencial), ligar para uma das pessoas que você simplesmente lançou o “beijo-não-me-liga-é-carnaval” em Olinda ou, na pior e última das hipóteses, encher a cara de pitu no show de Vitor e Léo, catar o ser mais tosco do estabelecimento, enchê-lo (a) de cana e falar em namoro quando este está praticamente lambendo o chão e chamando urubu de meu lôro.

Enfim, não importa com quem ou qual seja o nível de comprometimento; o fato é que a idéia de não ter uma companhia para tomar um vinho, ficar no friozinho e aproveitar as poucas programações que existem durante a estação chuvosa (e que só dão pra fazer acompanhado) é simplesmente inconcebível. Não se trata de usar ninguém; é apenas um pacto unilateral para suprir uma carência eventual, que vai durar até o sol voltar a arder. E aí começa tudo de novo.

Boa Semana Santa para todos.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

O problema não é você; Embora, de fato, seja.

Acho que todo ser humano que se preze já está familiarizado com o conceito de pé na bunda. Seja no pólo ativo (dando) ou no passivo (recebendo), o fato é que ninguém está imune aos efeitos de um “zignaldo”. Para nós, mulheres, é muito chato ter que dispensar alguém; e quando isso está prestes a acontecer, sonha-se como seria perfeito se uma intervenção divina fizesse a pessoa desistir da gente também, conhecesse outra mulher, descobrisse que era gay, enfim, qualquer coisa que nos poupasse de ter esse tipo de conversa desagradabilíssima de foi-mal-amigo-não-te-quero-mais. Pior ainda é quando o cidadão é daqueles que interpreta um sonoro NÃO da forma mais subjetiva possível, achando que pode ser TPM, insegurança, insanidade temporária, dor de barriga, o caralho à quatro, menos que a gente não quer mais.

Aliás, eu não sei bem se isso é o suprassumo da carência, somado a uma dose absurda de pegajosidade e prepotência, ou se esses homens acham que mulher é tudo um bando de zé tabaca que dá um beijo e já quer namorar, e ficam sem entender quando a gente simplesmente não quer nada.

Para essas pessoas, o tratamento precisa ser mais delicado. Não basta uma boa conversa sincera. Aliás, sinceridade não é uma opção. A única solução é aplicar o TGM (Truque da Galinha Morta). É uma versão mais moderna do “Se Fazer de Morta pra Comer o Coveiro”, que deriva da velha, porém infalível, Arte de se Fazer de Doida, utilizada desde os tempos da pedra lascada.
Uma das táticas baseia-se no jargão “o problema não é você, sou eu”. Consiste basicamente em atribuir a si própria toda e qualquer responsabilidade pelo fora. E aí vale apelar para tudo: ex-namorado, lado profissional, reflexão que a faça encontrar seu “eu interior”, enfim, qualquer desculpa cretina que o faça achar que o problema não é com ele.

Vale também elogiar muito o cara (mentir mesmo, pode inventar), assim eleva a auto-estima dele e ele vai pensar que a culpa é sua mesmo, porque só sendo muito doida pra dispensar um cara tão legal. E quanto mais detalhes, mais crível ficará sua desculpa. E, para isso, você pode juntar todas as desculpas num caso só. O diálogo fica mais ou menos assim: “Olha, você é um cara muito legal, inteligente, simpático, divertido, culto, e se eu tivesse bem, com certeza teríamos um relacionamento bacana. Acontece que eu acabei de sair de um namoro super conturbado, meu ex era muito possessivo, e agora que eu finalmente terminei, sinto a necessidade de ficar só, aproveitar a solteirice, afinal eu namorei por muito tempo e nunca tive a oportunidade de sair sozinha com minhas amigas, só mulheres. E por ter ficado muito tempo com uma pessoa só, as personalidades da gente acabam se misturando e eu quero ficar sem ninguém para poder encontrar minha verdadeira essência.” Blá- blá- blá. Aconselho falar tudo num fôlego só, tipo apresentação de trabalho de história na 7ª série.

Resultado: ou o cara enlouquece com a conversa e desiste só para a gente parar de falar, ou então ele realmente acredita e não tenta nem argumentar. E o melhor de tudo: sai com a auto-estima intacta e você com peso zero na consciência, crente que vai ser canonizada por tamanha boa ação.

Uma outra forma, com certeza, toda mulher já usou. É o tal do dar o número errado do telefone. Essa serve para aqueles carinhas que ficam encharcando na night e que soltam “só deixo você em paz quando tiver seu telefone”. Mas é bem arriscado, porque certos homens simplesmente acham que a gente é débil mental o suficiente para ter a capacidade de errar nosso próprio telefone celular e, ainda, quando nos encontram novamente, às vezes até acompanhada, falam “olha, acho que você me deu o número errado”.

Isso vale também para aqueles que você, topeiramente, deu o numero certo, ou então pegou seu número com uma amiga muito da filha da puta, e você bina insistentemente. Também está sujeito a dar errado, porque o cara, se for daqueles extremamente otimistas, nível versão masculina de Pollyana Menina, pode pensar que você não atende número desconhecido, que seu celular vive no silencioso ou que você só usa telefone nos finais de semana. E ainda pode piorar, se a pessoa decide se utilizar do recurso “mensagem de texto” e pedir pelo amor de Deus que você atenda, nem que seja para dizer que não quer mais nada. Puta merda, meu amigo, se Deus, o todo poderoso, escreve certo por linhas tortas, porque eu não posso fazer isso também, binando você insistentemente?!

Resumo da ópera: não tem aquela história de que, quando o homem quer, ele liga?! Pronto, com as mulheres é quase a mesma coisa. Quando a gente quer, a gente atende, a gente dá o numero certo e, principalmente, a gente nunca, eu disse NUNCA, vai dispensar um cara bacana porque acabamos de terminar um namoro complicado. Nós não temos o mínimo problema em demonstrar interesse, e se o cara for legal mesmo e a mulher for desinibida, existe até a chance de ela tomar a iniciativa e ligar para você.

Então, relaxem garotos, porque a maioria dos homens nasce com anti-corpos para combater os males de um fora. É da natureza masculina saber levar um ré e seguir em frente. Se acaso alguns de vocês não têm essa genética, dêem um jeito, recorram a terapias, vacinas, células-tronco se for preciso, mas aprendam, de uma vez por todas, a levar um dispense e manter sua dignidade. O Ministério da Saúde agradece.

A gente finge. E bem.

Eu achava que o universo feminino era bastante conhecido entre os homens, mas, depois de um tempo, vi o quão equivocada eu estava. Principalmente no que diz respeito ao orgasmo. Deixa eu contar uma coisa, meninos: as mulheres fingem. É verdade sim, mesmo que sua namorada esteja do seu lado dizendo que é mentira minha. No fundo ela está pensando “essa rapariga quer foder meu namoro!”. Amiga, antes que eu consiga foder seu namoro, é melhor você confessar ao seu namorado que você também finge, senão quem vai acabar sem foder aqui é você.

Pois é, gente. Mulheres fingem mesmo. E não é porque são frígidas ou inexperientes. Essa inclusive é uma das grandes vantagens de ser do sexo frágil. Enquanto os homens broxam por conta do cansaço, estresse do cotidiano, e ainda têm que ouvir aquela balela da amada “amor, relaxa, acontece com todo mundo” (acontece uma porra com todo mundo!), nós, mulheres, podemos nos utilizar desse artifício divino para escapar de algumas situações desconfortáveis e sem deixar nossos parceiros frustrados e ainda com mais chances de broxar na próxima vez.

Mas, antes que a ala feminina me entenda mal, explico que a culpa para apelarmos para esse espetáculo teatral de gritos e gemidos é dos homens. Exato, da macharia que acha que abala o bangu em chamas. Essa turminha vê um videozinho chinfrim de pornô-chanchada e se acha o Alexandre Frota da geração. Para os fãs e adeptos, gostaria de avisar que aqueles vídeos de Alexandre Frota só podem ser para veados, porque mulher não sente tesão por um coroa, ex-galã global, que fazia sucesso em novela das oito quando a gente nem conseguia ficar acordada até esse horário. Além disso, se acesso ao youporn.com ajudasse, a indústria de apetrechos sexuais pararia de fabricar vibrador.

Continuando, o problema é que os homens já chegam chegando, se achando a última coca-cola (light, por favor) do deserto. Tem uns que até curtem umas preliminares (o que é um ponto positivo), mas terminam vacilando logo nela. Vão logo avacalhando, achando que o clitóris é um botão “player” que tem escrito “keep pressing all night long”. Para os leigos, explico: da mesma forma que apertar forte e inúmeras vezes o botão do elevador não vai fazê-lo chegar mais rápido, apertar a membrana feminina dessa forma não vai fazer a mulher gozar.
Pior é quando tentam dar uma de viris e descolados e rasgam nossa melhor lingerie de 300 reais, com a mais pura convicção de que vamos ver estrelas de tanta excitação por tal gesto demasiadamente cavalo. Gente, eu sei que às vezes é complicado segurar o ímpeto sexual, mas façam um esforcinho e dêem uma olhadinha na etiqueta da calcinha antes. É fácil: Renner, Marisa, okay, vai em frente. Fruit de La Passion, favor retirar delicadamente.

Outro fator importantíssimo: nossos cabelos fantásticos não são crinas de cavalos selvagens para serem puxados com toda força durante o sexo. Nós gastamos tempo e dinheiro para que eles ficassem lindos daquele jeito, e gostaríamos se, ao menos, eles pudessem continuar presos ao nosso couro cabeludo. Existem mulheres que curtem uma certa violência na cama; acho até saudável esse tipo de expressão sexual, mas saibam que não é um consenso geral. Essa frase idiota de “toda mulher gosta de apanhar, mas nem todo homem gosta de bater” do sadomasoquista do Nelson Rodrigues deve ser para justificar a falta de approach e aderência dele.

Pulando para o “vamos ver”, (tem vezes que a mulherada termina sem ver nada) a macharia termina sendo egoísta. Só quer saber de atingir o clímax, não pensa no prazer em comum, e termina fazendo de qualquer jeito, apressado mesmo, tipo cadela no cio. É o famoso “self-service”: comeu, acabou, lavrou. Na boa, a tecnologia avançou, já existem réplicas perfeitas de boneca inflável da Preta Gil (para os mais excêntricos) à Luana Piovanni, a seu gosto e critério. Mas não, os mocinhos se recusam a apelar para as moças emborrachadas e terminam descontando na gente com aquele sexo mecânico, que mais parece uma simulação com o Robocop na velocidade 3, sem nem sequer inovar na posição (papai-mamãe = “pegar na bunda é coca-cola”).

Aí, o que acontece: a mulher vai ficando emputecida e acaba fingindo que está gozando também, pra terminar logo aquela palhaçada. Dá lá seus gemidos, faz seu papel de boa parceira sexual, e já fica pensando que vai trocar aquela blusa da Ralph Lauren que comprou de aniversário para ele pela versão atualizada do Kamasutra.

Portanto, garotos que se encaixam no perfil, sejam mais perspicazes na hora H, porque olhar para a cara de suposta satisfação da sua companheira não é garantia de boa performance; vocês vão terminar nadando e morrendo na praia (leia-se: levando chute na bunda ou um par de gaia). E também vão perceber como suas namoradas vão começar a ter enxaquecas alucinantes com absurda freqüência e ficar menstruadas mais de uma vez no mês.

Acontece com todo mundo

Tem dias que você acorda e se sente a pessoa mais burra do mundo?! Não entende as piadas do seriado que reprisa mais do que Chaves do SBT ou tenta formular uma frase, que nem precisa ser tão brilhante, que sempre termina incompleta por falta de léxico?!

Comigo isso acontece. Mas, só quando a noite anterior envolveu álcool. Sim, eu sei, o álcool mata os neurônios aos poucos, mas esqueceram de dizer que também paralisa as suas funções vitais por, no mínimo, 24hs.

E quando você sai em dia útil? (sim, porque no fim de semana você até pode curtir uma ressaca tranqüila, sem se preocupar com sua eloqüência e desempenho do seu cérebro). Aí você sai numa terça-feira, totalmente despretensiosa, pensando “só vou naquele pub tomar uma cervejinha e meia- noite estarei em casa”. Ah, a doce arte de se “auto-enganar a si própria consigo mesma”.

A cervejinha está quente, ou não tem aquele rótulo alemão que você a-d-o-r-a. Seja qual for o motivo (e sempre vai existir um, acredite) você termina mudando para uma bebida mais pesada. Nessa hora, tem que levar em consideração o fator “forma de elaboração da bebida”, pois você sabe que mudar de destilado pra fermentado vai lhe custar uma ressaca homérica. Você nem cogita não beber para evitar a ressaca; Já está conformada com o fato de que vai beber. O que está em questão agora é como amenizá-la. Aí, tem que ir pro vinho. E começam os pedidos: uma garrafa de vinho pra dividir com uma amiga, mais duas garrafinhas de água sem gás (na boa, quem bebe água com gás e diz que gosta tem o paladar mais cu do mundo) pra intercalar com o vinho e não ficar tão bêbada.

Começa a brincadeira: primeiro vem a frescura de olhar a rolha, cheirar o vinho, deixar decantar, dar uma rodadinha na taça e dizer “pode servir”. Pode estar avinagrado, uma bosta, mas você nem tem noção disso, é só pra fazer a chinfra mesmo, até porque você não vai dizer ao garçom que não entende, né?! Aliás, isso é muito foda. Não é só enólogo que bebe vinho, os meros mortais também gostam e por não quererem se sentir constrangidos, terminam fazendo esse teatrinho patético para o garçom achar que você entende (ham ram, impressionar o garçom).

Daí, já passa pra segunda garrafa de vinho, porque a primeira tava boazinha e a sensação de que seus pés não são cheios de joanetes, mas de plumas e nuvens que fazem você flutuar quando anda, faz você achar que pode pedir outra. Agora, já deixaram a garrafinha de água de lado e foram pra frente do palco aparecer pro vocalista gatinho, se achando a pica de Brennand, sem ter noção de que parecem ter saído de uma festa de Halloween, com os dentes e lábios roxos.

Depois do mico todo, ainda termina se pegando com um gatinho fim de festa (sim, você também era fim de festa para ele…ou você só se tornou atrativa depois de embriagada, com a boca roxa e o bar vazio?) .O bar quase fechando, o garçom chega com a conta, quase que implorando para se livrar dessas figuras. Aí, o carinha resolve esticar a festinha no apartamento dele, e decide comprar mais uma garrafa de vinho. Você já está muito bem (bem Amy Winehouse), mas decide aceitar, até porque, no dia em que um bêbado disser que já está bêbado o suficiente e suspender a bebida, eu me interno no A.A.


Entra outra garrafa, e vem mais meia hora de conversa merda com o carinha e suas amigas (você não iria sozinha ao apartamento de um cara que acabou de conhecer, né?) e voltam às 5 horas da manhã, rezando pra sua piscada de olho não demorar mais do que 1 segundo e você enfiar o carro no poste.

Três horas de sono pesado, babando no travesseiro e o despertador toca lembrando que está na hora de se matar. Uma escola de samba dentro da sua cabeça e você tenta entrar no chuveiro pra ir trabalhar. Chega ao trabalho exalando álcool, mas super simpática porque ainda está bêbada, e acha que consegue (des)enrolar tudo . Até que bate 16hs. Pronto. O relógio pára, o Big Ben pára, até o Congresso pára e você fica puta com Cazuza porque ele te prometeu, em poesia, que “o tempo não pára”. É nessa hora que seu chefe chega e pede para você terminar um “job” ainda hoje, porque precisa ser enviado para a puta que o pariu até às 18hs! Pronto, aí vem o drama da jumentice por álcool e você manda o criador do slogan “aprecie com moderação” para a merda por não tê-lo colocado também nos rótulos de vinho.

Você espreme o cérebro, tenta extrair o sumo dos seus neurônios, toma um litro de café, mas não consegue escrever uma porra de uma frase coerente. Nem pra copiar e colar você tem discernimento. Vai escrevendo sem pensar e repetindo a palavra FUDEU seguidamente, porque a única coisa que o álcool não prejudicou foi a sua dicção.

Enfim, seu trabalho fica uma bosta, seu chefe fica puto, você fica com o moral na sarjeta, e volta pra casa ouvindo um blues melancólico. Quando chega em casa pensando que seu azar tinha se esgotado, vai no orkut procurar pelo carinha que você ficou ontem (você não lembra o nome, mas sabe que ele gravou no seu telefone e sai procurando um nome estranho na agenda, de um por um) e vê que o cara, além de ser o maior zé tabaco, gordinho e feioso, tem alguma outra doente mental na vida dele, que atende por n-a-m-o-r-a-d-a!

Aí você tira duas conclusões: uma é que burrice não se mede por QI, mas pelo nível de álcool ingerido. E a outra é que você, pelo menos, (ao contrário da namorada do zé) só fica cega quando bebe.

Lei da Selva

Deixou de coisa de mulher mal amada, para se tornar fato incontroverso, a escassez de homens certinhos, que gostem de manter um relacionamento sério e maduro. Estes deixaram de estar em fartura nas prateleiras do mercado, para ocupar lojinhas de antiguidade.

A maioria das solteiras, quando são indagadas sobre seu estado civil, refletem a razão dessa substituição súbita e gradativa dos cavalheiros pelos calhordas. Mas, verdade seja dita – acreditem, é duro admiti-la- essas relíquias masculinas estão praticamente extintas (os que sobraram viraram a casaca ou rebolam com um bambolê no dedo) por culpa do comportamento feminino, ou melhor, por conta do feminismo exacerbado pregado nas últimas décadas. Vou explicar.

As mulheres, cansadas de serem sempre tratadas com submissão por seus homens, quiseram se igualar a eles em todos os aspectos. Daí, vieram as ondas feministas e elas foram, aos poucos, ganhando seu espaço. Só que, no âmbito afetivo, a coisa degringolou. Sabe aquele dito popular “quem nunca comeu melado, quando come, se lambuza”? Pronto. Bastou um pouco de autonomia para dar azo à galinhagem desenfreada e a pegação descompromissada. Nada contra a expressão saudável da sexualidade feminina, mas algumas mocinhas passaram por cima da linha um tanto tênue que dividia direitos iguais e putaria.

Assim como a ala masculina, as mocinhas começaram também a marcar no placar quantas bocas foram beijadas (algumas à força) em uma noite, quantos machos foram comidos por elas, transformando a expressão comer em unissex. Aquelas que um dia se auto-intitularam “eu sou pra casar”, hoje se enquadram no contexto “eu quero mais é dar”.

O que acontece? Um cidadão inocente, que tinha a melhor das intenções e jamais contribuiu para a massificação social dos canalhas, foi iludido, comido e mal pago por uma dessas moças que, com ar de puta e pudor zero na consciência, passou por cima do pobre, sem dó nem piedade.

E aí, o ciclo vicioso: aquele bonzinho, arrasado por esse comportamento animal, vê que o único jeito de se sair bem nessa história e reaver sua dignidade,ou pelo menos diminuir a dor de corno, é dar o troco na mesma moeda, mas não necessariamente com a mesma mulher, que a essa hora já deve rodado a catraca mais umas 6 ou 20 vezes. Acaba, então, se juntando ao grupo dos calhordas e diminuindo as raras espécimes do sexo masculino tão procuradas pelas mocinhas sanguinárias. Afinal, liberdade só é conveniente quando diz respeito à nossa.

É a lei da selva, onde só sobrevive o homem mais canalha… e a mulher também!