quarta-feira, 29 de abril de 2009

Crise da Baixa Estação

A Semana Santa é o prenúncio do fim do verão e também do começo de uma era de desespero, afinal, é o último feriado antes de fechar o ciclo das programações de veraneio e, com isso, a última oportunidade de descolar alguém para passar o inverno com você. É preocupante a quantidade de relacionamentos que têm início nesse período. Se você pensar direitinho, com certeza já teve algum namoro que começou nessa data. É a famosa “Crise da Baixa Estação”. Explico.

Já no início de setembro, quando o calendário anuncia a enxurrada de feriados imprensados e o buraco da camada de ozônio começa a ser notado devido ao calor descomunal que inferniza nossas vidas e transforma nossas peles em óleo de peroba, acontece um movimento diferenciado nos trópicos. As academias de ginástica começam a encher, as roupas vão diminuindo de comprimento e, coincidentemente, os namoros vão ficando balançados e chegando ao seu fim. Os neurônios, em ebulição na cachola, entram em choque, deixando as pessoas eufóricas, desesperadas por farra e no maior clima de pegação desenfreada. Está, então, declarada a abertura do verão.

Daí até o carnaval, a história é a mesma: ninguém é de ninguém, rasteira e balão é bóia e cu de bêbado não tem dono. Quem acha que nunca levou um zignaldo nesse período é porque é iludido e nunca se deu conta.

Passado esse trânsito apocalíptico, as pessoas já estão com as baterias quase no fim. Por incrível que pareça, ninguém agüenta mais cerveja quente, já está todo mundo com um bronze “errei no blush”, tipo Vera Fisher (isso se não estiver descamando, parecendo indícios de vitiligo) e as programações na praia já deram o que tinham que dar.

É neste exato momento que se considera instalada a Crise da Baixa Estação. As pessoas começam a refletir que a chegada do inverno é inversamente proporcional ao seu estado civil atual (solteiro). A simples idéia de se imaginar sozinho nessa época é capaz de gerar uma síncope nos seres humanos mais independentes e livres. Então, mulheres e homens dão inicio a uma maratona para tentar engatar algum zé perdido que também esteja no desespero (ou solidão) e deseje se comprometer. E aí vale apelar pra tudo: renovar namoro (aqueeeeeele namoro que você terminou em setembro alegando crise existencial), ligar para uma das pessoas que você simplesmente lançou o “beijo-não-me-liga-é-carnaval” em Olinda ou, na pior e última das hipóteses, encher a cara de pitu no show de Vitor e Léo, catar o ser mais tosco do estabelecimento, enchê-lo (a) de cana e falar em namoro quando este está praticamente lambendo o chão e chamando urubu de meu lôro.

Enfim, não importa com quem ou qual seja o nível de comprometimento; o fato é que a idéia de não ter uma companhia para tomar um vinho, ficar no friozinho e aproveitar as poucas programações que existem durante a estação chuvosa (e que só dão pra fazer acompanhado) é simplesmente inconcebível. Não se trata de usar ninguém; é apenas um pacto unilateral para suprir uma carência eventual, que vai durar até o sol voltar a arder. E aí começa tudo de novo.

Boa Semana Santa para todos.

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