segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Sobre Ela

Há dois anos e meio, uma parte de mim resolvia ir embora sem conseguir se despedir. Foi num daqueles dias em que você já havia mentalizado o seu começo, meio e fim antes mesmo de conseguir engolir aquela meia fatia de pão integral, empurrada goela adentro por dois dedos de café.

Aqueles dias em que o telefone era deixado de lado e as mensagens eram respondidas de forma automática e com várias horas de atraso, “because time is money”.

Aqueles dias em que você tinha a plena convicção de que iria terminar do mesmo jeito que começou: corrido, esbaforido, mal vivido, até porque, no meio da semana de uma advogada de 28 anos, não havia tempo para nada de inusitado acontecer.

Até que uma ligação repentina mostra que sua vida pode, sim, pausar. Em questão de segundos, você perde todos os cinco sentidos enquanto escuta aquela verdade que você daria tudo para ser mentira.

Automaticamente, sua cabeça volta rapidamente para aquelas mensagens respondidas sem tempo, sem pensar, sem parar –  e, no meio, encontra uma mensagem dela.

O coração dolorido só deixava a cabeça encontrar perguntas sem respostas.

Nessas horas, a gente segue. Com o coração despedaçado, o peito partido, a vida em frangalhos, a gente segue. E, nessa caminhada trôpega e lenta, a gente ouve que só o tempo resolve.

O tempo passou. Não curou a ferida e nem respondeu minhas perguntas. Mas, ajudou a transformá-las em uma carta de despedida só nossa.

Nessa cartinha, ela me dizia que, no começo, iria doer, que de vez em quando eu iria chorar, e que isso não seria um problema, desde que eu não deixasse minha vida parar. Que ela estaria sempre ao meu lado, bastava só fechar os olhos e senti-la por perto. Que tudo iria ficar bem e que eu jamais deixasse de escrever, porque ela adorava meus textos e queria que eu escrevesse um só sobre ela. E que, sempre que a saudade apertasse, ela teria me deixado 21 anos de histórias pra reviver e relembrar.

Fiz exatamente como ela recomendou: senti saudades. Revivi as lembranças como se tivessem acabado de acontecer. Chorei sem tentar impedir as lágrimas de caírem. E, dois anos e meio depois, volto a escrever. E é sobre ela.

Hoje, eu respondo essa cartinha quase que diariamente. Conto tudo que tem acontecido e a falta que ela me faz. Agradeço os amigos que ela me deu. E prometo nunca mais deixar a vida pra depois e o amanhã se transformar em tarde demais. 

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013


Biba, eu não quero falar de tristeza, porque o que nos une hoje aqui é, sobretudo, a saudade. Saudade da nossa bailarina, que sorria com a alma e abraçava com todo o amor do mundo.

Doce como só você sabia ser, sempre se aproximava com gestos delicados e palavras lindas, na tentativa de manter vivo nosso carinho e amor, sem nem perceber que amar você era tão fácil.

Por onde passava, emanava leveza e alegria. Parece que veio ao mundo só para despertar sentimentos bons e proporcionar momentos maravilhosos. 

De tão linda e sensível, hoje virou pura poesia.

Você era minha irmã; nossas histórias de vida se misturam e eu não seria quem eu sou se não fosse por você. E agora, além de uma irmã, eu tenho um 
anjo da guarda.

Levou um pedaço generoso de todos nós, que hoje é preenchido com mais lembranças lindas, te mantendo sempre viva nos nossos corações.

Assim, eu não vou me despedir. Quando a saudade apertar, eu vou fechar os olhos, olhar pra dentro e, num instante, vou encontrar você, logo ali, sorrindo pra mim. E aí, o aperto no peito vai afrouxar e meu coração vai sorrir de volta.

Mas isso é até a gente se encontrar de novo. Porque, como você bem sabe, nosso vínculo é eterno. 

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Eu nunca imaginei que, dentre alguns olhares perdidos e outros tanto mal intencionados, seriam meus os olhos que os seus buscavam.

Jamais pensei que seria eu quem você tiraria do meio da multidão, para encaixar no seu mundo de sonhos e ideologias.

Eu não sabia que, tentando me esconder de você, seria como eu o faria me encontrar.

Porque, até então, esses breves encontros de olhares, que me faziam perder o fôlego e todos meus seis aguçados sentidos, eram coisa só minha. Mas, ao me confessar isso tudo, você transformou numa coisa nossa.

E automaticamente, tirou meus pés do chão, até que pisassem o plano do improvável, onde seus lábios tocam os meus, com uma delicadeza de quem explora uma descoberta; enquanto eu consigo sentir, no meu pescoço, sua respiração acelerar ao ponto de você chegar ao meu ouvido e proferir, num tom quase que inaudível,verdades até então só suas, mas que agora ecoavam entre quatro paredes.

Essas quatro paredes, que nos protegem da realidade, onde não somos nada, além de doce ilusão. Onde não passamos de mera fantasia, travestida de luxúria, tentação e vaidade, despojadas em mal traçadas linhas, num pedaço de folha qualquer.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

é dor.
dor que consome, que me deixa
enrolada nos lençóis quando o sol
já apareceu na janela,
e mudou de posições,
há tempos.

é dor que você não entende,
que não sente,
mas que vê,
refletida em mim.

é dor que não se consola,
mas, isola
meu corpo do seu.

é dor sufocada,
amarrada num saquinho plástico
jogado num rio qualquer.

é dor intermitente, infernal, sem fim.
sem final feliz.

até voce chegar,
pegar na minha mão
e mostrar que voltou
para tirar tudo que é dor
de perto;
de mim.
não chora, meu bem.
não há o que se fazer agora.

o sono vai calar o medo silente
que seu coração sente
quando desconfia
de que quer do meu ser
independente.

tenha calma, meu amor
e espere para ver
nosso amor seguir adiante

e quem sabe descobrir
que seremos melhores do que nunca fomos
ou do que nunca iremos ser.

Escrever, para mim, é mais do que uma arte, um refúgio. É um fardo, um compromisso com a tradução da imaginação, que só sossega quando se consegue transformar em palavras aquilo que, com todo alento, tentamos sentir.  

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Mero acaso


Passou desapercebido. Talvez você nem tenha suspeitado e, se me perguntasse, provavelmente eu jamais assumiria. Mas, não foi mero acaso; eu fiz questão de parecer acidental quando o seu olhar, que tentava se perder em tantos outros, finalmente se encontrou com o meu. Não que eu quisesse ter você de volta. Foi pura vaidade minha, confesso. Eu só queria despertar sua atenção, para que eu pudesse sentir novamente, ainda que por cinco segundos, toda aquela adrenalina e desassossego dentro do peito; toda aquela bagunça nas minhas idéias, pensamentos e sentimentos, sempre tão concretos e pragmáticos; toda aquela ternura  e desejo ha tanto adormecidos e que meu corpo sentia, todas as vezes em que meu olhar, mesmo sem intenção, sem procurar e, principalmente, sem te querer tanto, encontrava com o seu.   

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Universo Paralelo

Você me assusta. Eu já disse isso e provavelmente vou repetir sempre que lembrar da gente. Usei todos os meus seis sentidos para entender essa revolução orgânica que você causou no meu corpo, quando olhou pra mim e sorriu, com esses dentes milimetricamente imperfeitos e uma carinha de “eu-consigo-tudo-que-eu-quero”. Porque você é totalmente meu oposto e transita num plano paralelo ao meu, longe de tudo que me é comum e daqueles que já passaram por mim. Talvez, em outro momento, você passasse despercebido, porque você não tem aquela cara de blasé, não tem aquele jeitinho desprotegido de quem quer colo e não é aquele ser emocionalmente complicado, que tem a capacidade de virar meu mundo ao avesso e me fazer viver cinco emoções diferentes antes do meio-dia. Mas, hoje, sem qualquer motivo aparente, eu percebi você. E, antes disso, você me notou e foi em minha direção. E eu, tentando fingir que não vi, olhei pro chão e balancei meu copo, que se resumia a resto de gelo e um dedo de whisky. Daí, você apela e, discretamente, encosta sua mão na minha, fazendo meu coração, que já esta todo alegre e iludidozinho, gritar que não foi só um acidente de percurso.
Aí, você chega mais pertinho, segura meu rosto, e diz que é pra sempre. Não teve mais jeito. Quando alguém faz o peito bater forte assim, a gente tem mais é que mudar os horizontes e fazer nossos planos paralelos se cruzarem. Ou, quem sabe, até pular para o seu.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Carnavalia

neste carnaval
quero afastar a solidão

-->
dançando conforme a música
no ritmado descompasso da minha Inquietação

-->
vou me perder em outros bracos
ludibriar arlequins solitários
com as promessas que fiz só para você, meu bem
descerei as ladeiras do imaginário
roubando beijos errados
até encontrar o gosto amargo
que as nossas bocas têm
vou me fantasiar de colombina
pintar meu rosto com a alegria de folião
quem sabe assim eu despisto
meus olhos tristes em meio à multidão
se acaso me vires com outro alguém
acredite: foi mero lapso visual
pois Olinda em fevereiro
Todo semblante fica igual
mas, por favor, não se esqueça
do pacto silente que meu corpo fez
o meu cheiro é somente seu
e o seu é só meu também
portanto, perdoe logo
se eu me exceder ao te encontrar
pois quero reviver tudo e um pouco mais
enquanto a banda não passar
vou me embriagar de ilusões
provar do veneno do mal
me entorpecer do ópio corrosivo
perdendo a nocao do real
porque
morrer de amor, meu bem
não nesse carnaval

domingo, 22 de agosto de 2010

Blue eyes


Eu morri naquele dia. Morri ao olhar pra trás e ver seus olhinhos azuis sorrindo de longe pra mim. Enquanto isso, os meus brilhavam com as lágrimas que não mais se continham neles e que eu tentava esconder, inutilmente, atrás de sorrisos tímidos e debaixo da sombra do meu chapéu. Você deixava comigo um pedacinho do seu coração e me pedia para cuidar dele, sem se dar conta de que, numa troca injusta, já tinha arrancado sorrateiramente grande parte do meu. E assim tem sido em cada partida. Agora, só me resta esperar por mais despedidas, até chegar aquela em que você leva meu último pedaço ou se deixa inteiro, comigo, de vez.

domingo, 13 de junho de 2010

O quão distante é preciso ir
para viver uma vida roubada
milimetricamente inventada
sem que se sinta a culpa de mentir?

São necessárias quantas ilusões
para que se torne verdade
essa versão utópica da tua história
que destoa de toda tua realidade?!

Quanto tempo ainda te falta
Até tua máscara cair
para que aceites de volta a velha vida
E pares então de fugir de ti?

O que te faz pensar
Que devemos ao mundo
E a todos que nele circulam
Mais do que eles puderam nos dar?

Analise o teu redor
Só assim conseguirás entender
A angústia que te corrói
E o vazio que não consegues preencher

Saberás então
Que se esquivar da própria essência
É a maneira mais longa e tola
De se livrar dessa dormente torpeza

Sendo o que não és
Esquecendo o que já se foi
fantasiando o aqui e o agora
sem se importar com o amanhã e o depois

domingo, 2 de maio de 2010

Talvez, eu devesse ter dito algo. Mas, meu orgulho me privou da minha eloqüência peculiar e me impediu de dar algum sinal indicativo de que eu ainda o queria por perto. Porque, apontar mais uma vez seus erros e poucos acertos transformaria meu discurso em um pleonasmo enfadonho, e eu já tinha feito uso de todas as minhas figuras de linguagem tentando apontar o caminho das pedras.


Então, você preferiu construir um amor novo a tentar emendar o nosso.


Achou melhor abrir feridas em outros corações, porque os da gente já estavam estilhaçados demais com tantas inverdades ditas com o único propósito de machucar, numa disputa interminável para vencer discussões que não levariam a lugar nenhum, a não ser ao nosso fim.


E eu pensei que não fosse agüentar. Tornou-se insuportável vê-lo ocupar um lugar que não aquele que eu tinha reservado para você, ao meu lado.


Meu coração vacilava e diminuía o pulso com cada tentativa inconsciente sua de nos destruir e se afastar de mim. Mas, eu resisti.


E, agora, você não entende enquanto eu tento mostrar que, remendar os pedaços que sobraram de nós não dá nem para formar um romance clichê de sessão da tarde.

domingo, 28 de março de 2010

Isso vai passar.

Esse aperto no peito vai afrouxar enquanto você for se distraindo, seguindo pela vida e pelos braços de outros amores, oferecendo um pedacinho de sua dor e ilusão, em troca do amor recebido, mas que você não correspondeu.

E vai passar tão rápido que não dará tempo de colecionar lembranças, para depois ter que provar aquela sensação amarga de conforto e agonia que a nostalgia traz.

Aquele nó na garganta, que dá quando se engole o choro, vai desatar, porque não existirão mais caquinhos para catar do amor que você deixou ruir e quebrar nas suas mãos.

E, assim, você vai continuar, embolando-se em sentimentos e lençóis alheios, só para não mais sentir tudo isso que você está sentindo agora, enquanto eu digo que chegou o fim.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

É melhor que vá agora. Porque sentir saudades estando ao seu lado me faz perceber que seu amor já foi embora e deixou você aqui, comigo, e a mim, sozinha.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Você nunca pediu permissão. Chegou desse seu jeito, sem avisos, sem noção e sem pedir licença. Não calculou os passos; apenas se jogou de pára-quedas em meio à minha parafernália emocional , procurando um espaçozinho, entre meus dilemas e assombrações, para se encaixar junto com suas piadinhas infames. E eu, sem paciência, sem rodeios e sem delongas, relutei, cortei suas asas e qualquer conversa improvisada. Até que você olhou nos meus olhos e sorriu. Fiquei sem entender que, naquele exato momento, você tinha descoberto, escondido logo ali, atrás de uma pilha de mágoas e decepções, um lado doce em mim e que ninguém mais via. E, no mesmo lugar, a chave da porta da frente.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Ela já estava desistindo. O sino nunca mais tinha batido; não como bate quando se tem quinze anos e uma brincadeira de bem-me-quer-mal-me-quer decide o amor da nossa vida, que nos chega todo óbvio, arrebatador e com cara de felizes para sempre. Até que o “para sempre” morre dentro da gente e carrega o amor todo junto, deixando só um buraco cheio de saudade e medo de não sentir aquilo tudo de novo. Daí a gente cresce, outros amores aparecem. Só que diferente. Agora, eles são todos subjetivos, disfarçados de desdém e joguinhos de eu-só-quero-quando-você-não-quer. Tudo porque ela ficou esperando o sino bater de novo e não se deu conta que o amor também pode aparecer sutil, devagarzinho, sem fazer barulho, em doses homeopáticas. E, às vezes, até ficar de vez.

domingo, 23 de agosto de 2009

domingo

Nos meus domingos, a melancolia chega cedinho de manhã, avisando que eu posso demorar um pouquinho mais na cama e continuar enrolada nos meus lençóis e devaneios. Nos meus domingos, o céu vai descolorindo, deixando cinza o seu azul e tudo mais que reluz em minha volta. Nos meus domingos, a placidez e a tristeza predominam aqui dentro, dando uma sensação de vazio e de conforto ao mesmo tempo. Nos meus domingos, um processo de sinestesia se inicia, e os aromas viram cores, as cores evocam melodias e as melodias despertam cheiros, até me remeter ao cheiro do seu corpo que eu sentia naqueles dias em que você acordava ao meu lado, com beijos e segredos ditos baixinho no seu ouvido; em que eu te amava devagarzinho e sempre; em que o tempo nos sabotava, passando mais rápido quando ficávamos juntos. Naqueles dias, em que os domingos não eram meus e encontrar você não se limitava a uma conexão de sinapses e nostalgia.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

platônico

Por favor, não me peça atenção. Nada do que você fale me soará mais interessante do que poder contemplar todos os pedacinhos que compõem seu ser, um a um, até me perder por completo na anatomia imperfeita do seu corpo. Basta uma palavra sua e meus olhos já percorrem lentamente seus lábios, olhos, pescoço, até entrarem em êxtase por encontrar uma manchinha escondida na nuca, despertando minha curiosidade em saber o quê mais existe em você que eu ainda não conheço. Vou estudando minuciosamente todos seus movimentos, trejeitos e manias, sem deixar você perceber que nosso diálogo virou um monólogo desde o começo. Você já detém a atenção de todas; uma a menos não faria diferença. Então, ignore meu semblante de fascínio e deixa-me aqui, divagando como seria se esses detalhes seus acordassem ao meu lado todos os dias.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

deixa ser

Tinha tudo para não ser. Estava resolvido, decidido, martelo batido. Não era para 3 dias virarem mais de 8. Nem para Recife virar trecho de ponte aérea. E, muito menos, Billie Jean virar música romântica. Mas, foi.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

meu plano

Eu sei, a culpa é minha. Eu que provoquei esse abismo entre nós quando resolvi sumir. Mas, não foi por despeito ou para fazer joguinho de gato e rato, até porque a gente sabe que, nesse jogo, ninguém sai ganhando, e eu não jogo para perder, inclusive meu tempo.

Era só por um período, até eu conseguir assimilar que o real sentido das suas palavras destoava completamente do que eu entendia. Porque, antes, meu coração, sempre tendencioso e narcisista, tinha tomado o controle da situação e me impedia de enxergar que o vínculo que me unia a você já não era o mesmo que unia você a mim. A relação da gente passou de direta para inversamente proporcional, e era eu que me encontrava numa desvantagem gritante.

Mas, você não entendeu. E eu não podia justificar essa ausência e correr o risco de vê-lo sair correndo e nunca mais voltar. E, no meu plano, não existia a margem de erro que impedisse que eu voltasse. Eu sempre voltaria.

Também achei que meus anseios, tão latentes ao ponto de serem vistos a olhos nus, bastariam como explicação. Por isso, foquei somente nos meus passos, perfilhando tudo que me faria nivelar meus sentimentos aos seus, e não pensei nos efeitos colaterais que atingiriam você. Só que, de alguma forma, isso tudo o influenciou.

E agora, estamos aqui, separados por esse buraco negro, que tentamos tapar com conversas educadas e muita hipocrisia, fingindo que nada mudou.

domingo, 2 de agosto de 2009

defeito de fábrica

- pô, meu celular endoidou.
-como assim endoidou?
- eu aperto na tecla e ele não disca.
-aahhhhh já? Não era um aparelho do caralho, de última geração?
- ele é do caralho, mas tá dando defeito.
-querido, a única coisa aqui que é do caralho, mas que dá defeito, sou eu!

sexta-feira, 31 de julho de 2009

esfregando o ego no asfalto

- Você me despreza, não é?
- Se eu pensasse em você, provavelmente o desprezaria.

(diálogo do filme Casa Blanca)

quarta-feira, 29 de julho de 2009

ponto de partida

Eu me perdi. Você me confundiu tanto que acabou misturando todos meus sentidos e abalando minha pouca noção de direção. Agora, eu já não sei ao certo onde ficam os pontos cardeais . Muito menos para onde ir. Minha bússola apenas aponta na localização oposta da sua. Acho que já é um bom começo.
Aqui dentro, nenhuma novidade. Ninguém sai, ninguém entra. Existem portas que não se arrombam.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

desassossego

Encontrar você me desconcerta. Eu sei que não deveria ser assim, afinal, eu trancafiei você na minha caixinha de Pandora e nunca mais me permiti abri-la, porque tudo que mexe comigo está lá dentro e agora, mais do que nunca, eu preciso de sossego. Eu também me imunizei mentalmente, condicionando minha cabeça a desviar os meus pensamentos para outra direção sempre que você aparece de relance neles.

Mas, é só seu olhar ir de encontro ao meu e todo meu corpo entra em colapso. Meu coração, que já vinha numa batida sôfrega e lenta por tristeza de funcionar sem você, bate em descompasso, como se quisesse acompanhar o ritmo do seu. Enquanto isso, eu faço um esforço sobre-humano para me manter de pé, porque minhas pernas já entraram em dormência profunda, atrapalhando minha vontade de sair correndo dali e evitar que você perceba meu rosto ruborizar. Em fração de segundos, você rouba meu oxigênio e me impede de pensar com coerência, misturando o certo e o errado e espantando de vez toda a razão que me protege de você.

Então, quando me encontrar na rua, entenda se eu desviar seu olhar do meu. É que eu ainda preciso de todo meu corpo funcionando em cadência constante para que eu consiga dar um passo à frente e deixar você para trás.

domingo, 26 de julho de 2009

Alta noite já se ia
Quando finalmente conseguiste escutar
Os pensamentos que tentaste calar
Entre as buzinas dos carros
E o caos da manhã

Mas tão logo que te permites divagar
Já surge um inconsciente bloqueio
Que te faz não querer mais pensar
Sobre o que te fez chegar onde estás

É concebível para ti
Viver nesse conflito interno
Entre o “se” e o não
Criando um plano paralelo

Ressuscitando personagens
Nesse palco de alucinação
Montas um enredo quase que perfeito
De amor, luxúria e tentação

Mas a aurora te desperta
Dessa doce e suave fantasia
De que é possível construir castelos
Com migalhas de lembrança e nostalgia

É quando atentas então
Para a crua realidade
De que o que refúgio que criaste
Não passa de uma fina mistura
De ficção, memórias e contraste

quinta-feira, 23 de julho de 2009

à francesa

Eu fui embora. Sem despedidas, sem surpresa e sem adeus. Apenas um post-it amarelado, na cabeceira, dizendo "chegou a hora". Era o suficiente. Mais palavras não mudariam o que já estava condenado a ser efêmero.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

com licença, você vai embora

Eu resolvi esquecer você. A partir de hoje, evitarei encontros , sejam os casuais, os propositais e até os de olhares. Mas, se por acaso eu falhar e der de cara com você, não me venha com abraços e conversinhas no pé do ouvido, só para tentar me amolecer. Acabarei com as mensagens fofas e ébrias de madrugada que, de alguma forma, terminam me levando até você, porque eu que comecei com essa mania e tenho todo direito de terminar com ela.

Esqueça as ligações intermináveis, em que falávamos coisas só de nós dois. E, mais ainda, aquelas em que nada se conversava e que apenas pairava um silêncio profundo, mesmo que se estivesse desmaiando de sono, ou às vezes até dormindo, porque a vontade naquele momento era apenas a de sentir o outro perto.

Você se resumirá a mais um capítulo mal resolvido e bem encerrado, cheio de reticências e espaços em branco, onde não existe mais "eu e você", assim, unidos por uma conjunção aditiva. E sim você, de um lado, e eu, no outro extremo, separados por um ponto final.

Mas, para isso, terei que fazer uso de todas as minhas forças mentais e esgotar todo o meu potencial de racionalidade, mesmo que eu corra o risco de sofrer um AVC. Só assim eu consigo condicionar a minha cabeça a mandar no meu coração. Porque esse ainda não pensa, só sente. E, ultimamente, sente muito a sua falta.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

quanto mais eu rezo...

Para me livrar de assombração,
larguei o terço
e virei agnóstica

Para me livrar de você
tomei whisky
e vergonha na cara

segunda-feira, 29 de junho de 2009

2 pés atrás

Eu acredito tanto em você que, se você me der "bom dia", eu vou correr até a janela para conferir se ainda está claro lá fora.

auto-sabotagem

Eu cai no seu jogo. Logo eu, toda desconfiada, toda cética, toda calejada por outros tipinhos ordinários que se aproveitaram do meu coração virgem de canalhices e me deixaram cheia de marcas e mecanismos de defesa.
Eu, que às vezes desconfio até de mim mesma, pois minha própria cabeça já me confundiu algumas vezes e me deixou desse jeito, andando como se pisasse em ovos o tempo inteiro.
Eu, que no mínimo sinal de perigo, já disparo uma sirene de ambulância dentro de mim, que me alerta para sair correndo e pular fora.
Mesmo assim, eu acreditei em você.
Óbvio que não dei ouvidos a muita coisa. Sabia que algumas palavras que saiam da sua boca, sem o menor compromisso e disparate, faziam parte do seu repertório. Mas, de alguma forma, me deixei levar.
Quando dei por mim, eu era sua, e você era apenas um personagem, com pseudo-sentimentos e frases de efeito. Mas, não foi mérito seu.
Eu é que fui tola e não percebi que, enquanto prestava atenção nos seus passos para não ser enganada por você, meu próprio coração, em conluio com meu inconsciente, já me sabotavam e estavam prestes a me trair.

domingo, 28 de junho de 2009

Pus minha mão no fogo. Sabia que poderia me queimar. Mas, curiosa e inconsequente que sou, resolvi arriscar. Resultado: queimadura em terceiro grau, embora a sensação fora como a de um balde de água fria.

Neverland

Eu não corri de você. Apenas me refugiei num lugar onde seu cheiro jamais vai alcançar. Aqui, eu não sinto sua falta. Mesmo fazendo esforço, não consigo lembrar dos seus beijos, sorrisos e nem da sua voz. Não sei mais dizer se você tem cicatrizes ou sinais no rosto. Tampouco se foi sua inteligência, doçura ou jeito que me seduziu.
Sua imagem se reduziu a um vulto cinza e embassado.
Onde eu me encontro, você é apenas ilusão. Algo que não existiu de fato, só em pensamento. E hoje, esses pensamentos sequer existem mais.
E, mesmo que um dia eu sinta necessidade de preencher algum vazio e queira lembrar tudo que representa você, vai ser impossível. Pois eu não sei o caminho de volta.
Não perca tempo tentando me achar. Não acho que você seja capaz de encontrar.
Eu fugi para a realidade, meu bem.





Racumim

Acordei sem ar, com um aperto no peito e um nó na garganta. Fiz um raio-x e vi o estrago. Coração e cabeça intoxicados. Extrai você de mim. Não tive escolha: sou alérgica a veneno para rato.


TPM

é o direito de ser bipolar, a cada mês, entre 5 e 7 dias.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

prazer de comer bem

Cozinhe
tempere
jogue pimenta
e sal à gosto

mas, depois de comer
não venha me dizer
que o gás acabou
e me negar fogo

Prendado

Pode me cozinhar
Pintar e bordar
À vontade

Só deixe avisado
quando você cansar
de brincar de dona de casa

Fora de moda

Avisem a Lispector
Que essa coisa
De gostar do que não presta
Do malfeito
E inacabado
Ficou démodé


*referência a um escrito de Clarice Lispector. Para quem não conhece:

"O que obviamente não presta sempre me interessou muito. Gosto de um modo carinhoso do inacabado, do malfeito, daquilo que desajeitadamente tenta um pequeno vôo e cai sem graça no chão"

Fofinhos: um mal desnecessário

Homem é tudo farinha do mesmo saco. Toda mulher já falou e todo homem já cansou de escutar essa frase, seguida, é claro, de uma forte batida de telefone na cara. Mas, por mais brilhante e perfeita que essa frase possa parecer, ela não é de um todo verídica. Sim, porque a ala masculina que se encaixa no padrão “não valho um chiclete ploc grudado embaixo de corrimão”, comporta subdivisões. Vamos a elas.

Existe o calhorda “fraco de conteúdo” que, tendo consciência de sua incompetência em atrair mulheres e mantê-las volitivamente ao seu lado até o fim da noite, mira no alvo mais fraco do recinto. Este, geralmente, é uma ex-gordinha recém lipoaspirada que, embora possa ser inteligente e descolada, não reestruturou sua auto-estima, que varia entre -2 e -4, numa escala de 0 a 10.

De cara, o sujeito já a trata por “linda”, “princesa”, sendo o suficiente para a cidadã se achar o lançamento da temporada (embora esteja mais para uma Fanta Uva na última prateleira do supermercado) e se atirar nele, com o pensamento “balançou a rede, é gol”.

A figura do carente também é digna de nota (e de pena). De estado emocional transtornado e comportamento efusivo, ele vai em busca de uma mulher para dar e buscar afeto em doses absurdamente excessivas, sem se dar conta de que seu problema seria resolvido com uma ida ao pet shop.

Por conta disso, sua pesquisa de campo deve ser a mais minuciosa possível, porque se o cara for investir numa mulher que não seja sua alma gêmea, vai se foder bonito. Afinal, não existe coisa mais insuportável do que homem que, depois que fica com você, gruda feito piche, já escolhe o nome dos seus filhos e liga cinco minutos depois que te deixou em casa para perguntar se o percurso portaria-elevador-porta de casa foi bem sucedido. Portanto, tem que achar uma cidadã carente, do tipo recém-corneada pela irmã (ou irmão, o que é pior), que, estando totalmente desacreditada no amor e refletindo entre virar assexuada ou entrar pra um convento, resolveu se jogar na night e tentar uma última vez.

Não se pode esquecer do sonso. Aquele tipinho que a-d-o-r-a pagar de namorado perfeito, principalmente para sua família e suas amigas. Vira melhor amigo do seu irmão, sai pra beber com você e suas amigas sem nenhuma companhia masculina, vira a casaca por conta do sogro, leva os seus sobrinhos pro Gamestation dia de domingo, mas, numa segunda-feira, em horário comercial, está comendo a colega do escritório e ainda pagando amor para ela. Pudor não é nada, imagem é tudo.

Esses tipos, apesar de repugnantes, são identificáveis por qualquer mulher que já tenha uma vivência considerável, e termina não sendo muito sofrível, sendo às vezes até engraçado, conviver com eles e se livrar deles.

No entanto, existe um espécime que inferniza a vida de qualquer mulher e que tem se proliferado feito praga: o famigerado tipo fofinho. Não conheço uma menina que, uma vez envolvida, nunca se apaixonou por um. E, principalmente, nenhuma que tenha saído ilesa.

O fofinho é aquele sujeito tímido por natureza e que, por ter plena consciência do que pode conseguir com esse jeitinho, usa sua timidez em seu favor. Especialmente quando a questão é chegar em alguém. Tirando poucas ocasiões de desespero e nível acentuado de álcool no sangue, o fofinho não gosta de tomar a iniciativa. Seu approach não passa de algumas olhadas e sorrisinhos, seguidos de uma cabeça baixa. Como ele não chega perto, a mulher se aproxima e ensaia uma conversinha mediana, torcendo para ter um mínimo feedback. Nada acontece, nada evolui. O cara continua ali, rindo, o que deixa a mulher intrigada e extremamente agoniada, fazendo-a cogitar o porquê de o cidadão não se manifestar. As menos modestas chegam à conclusão (super estúpida) de que ele só não age porque não tem coragem, porém muita vontade de que ela dê o primeiro passo, afinal, o mundo de hoje é extremamente liberal e não existe nada mais moderno do que iniciar a ficada e agarrar o menino, não é?! NÃO. Por mais encabulado, quando o fofinho quer, o fofinho beija. Só que ele aprendeu, provavelmente com meninas como essa, que essa tática, além de cômoda, garante fácil pegar gente sem correr o risco de levar um não e sair de ego ferido.

Caso seja uma menina com mais discernimento, o carinha, logo que perceber isso, vai fingir ser um esforço sobre-humano unir todas as suas forças e capacidade de eloqüência para pedir um beijo, sabendo que esse pedido vai causar um efeito semelhante ao de uma caixa de Prozac, pois a maioria das mulheres acham que fazer um garoto tímido agir dessa forma é caso digno de prêmio Nobel.

Apóstolos de Roberto Jeferson, esses monstrinhos têm o magnânimo dom de virar qualquer situação a seu favor. Mesmo sendo réus confessos da maior cagada universal de todos os tempos, um simples “desculpaaa…” com aquela voz e vocabulário de criança e uma carinha de pedinte (que, em se fazendo um esforço, fica quase possível visualizar uma auréola acima de suas cabeças), é capaz de fazer não só com que sejam perdoados, como também nos fazer sentir culpadas por termos cometido o sacrilégio de brigar com aqueles seres tão puros e inocentes. Caso não convença muito, o que é quase impossível, ele acaba apelando para uma atuação teatral. Isso mesmo. Abre o berreiro e desabafa todo o amor (que poderia ter sido expressado há anos) que sente pela mocinha e confessa que sem ela seu mundo desaba. (cafona, piegas, mas o PIOR é que cola).

Isso vale para esquecimento de aniversário de namoro, bolo de compromisso inadiável e marcado com uma semana de antecedência, pegação aloprada quando vocês resolveram dar “um tempo”… e por aí vai, a depender da relação diretamente proporcional timidez x cara de pau.

Essa tática pode ser usada o quanto se fizer necessária, sem correr o perigo de ser considerada manjada, e independente de ser a mulher uma tabaca-lesa ou encarnação de Hitler.

Depois disso tudo, em meio a um surto de consciência que dura, no máximo, uma semana, a namorada decide não se sujeitar mais e terminar tudo, tentando reaver sua dignidade de volta. É aí que o fofinho se supera. Convence não só a ex, bem como todos os amigos e familiares, o quão injustiçado e desprezado foi, pela tamanha falta de tato da bruxa infeliz que não aceita seu jeito “recluso e inseguro de ser”, fazendo com que a menina seja bombardeada e tenha que ouvir desaforos do tipo “como você foi dispensar um menino bom desses?! Com esse seu gênio, vai terminar sozinha”.

Resultado: nesse momento, a namorada, com a dignidade na lama, se sente uma mula e, depois de muito tempo de reflexão, resolve voltar pro fofinho. Nesse meio tempo, o fofinho já está a perigo, soltando sorrisinhos tímidos e escolhendo a próxima patinha que vai cair no jogo dele.

Portanto meninas, no mínimo indício de qualquer dessas características, fiquem com um pé atrás: pode se tratar de um monstrinho. E caso você não perceba e venha a passar por tudo isso, ou já tenha passado, fica de lição: depois de um fofinho, você dá um nó em qualquer tipo de homem. É aposta ganha.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

de amor, só se morre uma vez
dizia o poeta
jamais ouvi tamanha tolice, retruquei
eu mesma
já morri mais de duas
só neste último mês

combustão

fugaz
como fogo em palha seca
termina
em caixão e vela preta

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Eu não quero mais você. Agora, não mais. Eu sei que é chocante, e parece intriguinha de garota mimada só para chamar sua atenção, já que eu sempre me derreto só de ouvir sua voz e vou até você toda vez que você sinaliza me querer. Noutros tempos, ficaria uma semana em casa, enfiada embaixo do edredon, só de pensar em não te ter por perto, à minha vista ou nos meus pensamentos. Não agüentaria dizer isso assim, tão abertamente, correndo risco de nunca mais sentir você dentro de mim.


Mas, agora é diferente. Hoje eu quero ficar só e poder sentir meu coração realmente vazio. Quero ouvir Chet Baker e Radiohead e não ter ninguém em quem pensar. E, quem sabe, até sofrer por isso. Ter certeza de que “felizes para sempre” é coisa de roteirista meia boca, que não sabe como concluir uma história e empurra essa balela antes dos créditos finais só para a gente sair sorrindo do cinema e não atestar sua incompetência. Quero ter minhas noites de insônia tentando organizar a bagunça da minha vida e ver que você sequer apareceu de relance na minha faxina mental, ou que, no mínimo, foi parar embaixo do tapete, junto com as sujeirinhas que a gente nao faz questão de guardar. Quero me frustrar e perder meu dia porque não tenho mais inspiração pros meus textos tristes e melancólicos.Quero acreditar em Quintana quando ele diz que "é tão bom morrer de amor e continuar vivendo".


Só espero que esquecer você também seja somente uma questão de querer.

Da minha pior dor
És o principal culpado
então, me ajude a te esquecer
assim eu paro de escrever sobre você
e acabo de vez com essa tendinite

sexta-feira, 19 de junho de 2009

ponto de ebulição

Já me disseram que você me leva na conversa
em banho maria
eu discordo
acho que você me cozinha, sim
mas em alta potência

quinta-feira, 4 de junho de 2009

era uma vez... e nunca mais

São quase cinco da manhã. Você ainda dorme e eu preciso ir embora. Me perdoe, meu bem, mas hoje eu não vou me despedir. Antes de levantar da cama, eu não vou beijar seus olhos e esperar eles sorrirem de volta para mim, como faço quase todas as manhãs. E nem continuar ao seu lado, abraçada a você, querendo que o tempo pare naquele momento. Acredite, nada me faria mais feliz do que esperar você tirar as peças de roupa que vou vestindo, só para eu ficar deitada com você um pouco mais. Mas, eu não vou. Não dessa vez. Não vou agüentar sentir o peso dos seus olhos seguindo meus passos em direção à porta, até eu virar para trás e vê-lo me espiar, com o cobertor até o nariz.


Porque, diferente das outras vezes, eu não pretendo voltar.


A culpa não é sua. É que eu ainda não consegui distinguir quando seu “não” quer dizer sim, e quando seu “sim” não quer dizer absolutamente nada. Ou, talvez, minha cabeça esteja confusa demais para recorrer às minhas aulas de interpretação de texto do colegial e tentar decodificar suas mensagens subliminares, bem como fazer com que você entenda que “não sei” não é resposta, independentemente da pergunta que se faça.

Falta equilíbrio emocional em mim para suportar seu comportamento volúvel de menino mimado, que quer tudo, mas não sabe o que esse tudo representa.


Pode até ser que eu sinta sua falta e perceba o quão difícil é encontrar outra pessoa que agüente meus momentos de brabeza e consiga me adular até me deixar calminha e doce novamente. Mas, nesse momento, eu não tenho mais forças para catar seus defeitinhos e montar um quebra-cabeça para decifrar você, porque hoje sou eu que me encontro aos pedaços.


Por isso, dessa vez, eu vou somente olhar para trás, confirmar que seus olhos ainda estão fechados e saber que deixá-lo dormindo foi a melhor coisa que eu poderia ter feito.

Porque eu ainda não aprendi a ser amada pela metade, enquanto eu amo por inteiro.