segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

É melhor que vá agora. Porque sentir saudades estando ao seu lado me faz perceber que seu amor já foi embora e deixou você aqui, comigo, e a mim, sozinha.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Você nunca pediu permissão. Chegou desse seu jeito, sem avisos, sem noção e sem pedir licença. Não calculou os passos; apenas se jogou de pára-quedas em meio à minha parafernália emocional , procurando um espaçozinho, entre meus dilemas e assombrações, para se encaixar junto com suas piadinhas infames. E eu, sem paciência, sem rodeios e sem delongas, relutei, cortei suas asas e qualquer conversa improvisada. Até que você olhou nos meus olhos e sorriu. Fiquei sem entender que, naquele exato momento, você tinha descoberto, escondido logo ali, atrás de uma pilha de mágoas e decepções, um lado doce em mim e que ninguém mais via. E, no mesmo lugar, a chave da porta da frente.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Ela já estava desistindo. O sino nunca mais tinha batido; não como bate quando se tem quinze anos e uma brincadeira de bem-me-quer-mal-me-quer decide o amor da nossa vida, que nos chega todo óbvio, arrebatador e com cara de felizes para sempre. Até que o “para sempre” morre dentro da gente e carrega o amor todo junto, deixando só um buraco cheio de saudade e medo de não sentir aquilo tudo de novo. Daí a gente cresce, outros amores aparecem. Só que diferente. Agora, eles são todos subjetivos, disfarçados de desdém e joguinhos de eu-só-quero-quando-você-não-quer. Tudo porque ela ficou esperando o sino bater de novo e não se deu conta que o amor também pode aparecer sutil, devagarzinho, sem fazer barulho, em doses homeopáticas. E, às vezes, até ficar de vez.

domingo, 23 de agosto de 2009

domingo

Nos meus domingos, a melancolia chega cedinho de manhã, avisando que eu posso demorar um pouquinho mais na cama e continuar enrolada nos meus lençóis e devaneios. Nos meus domingos, o céu vai descolorindo, deixando cinza o seu azul e tudo mais que reluz em minha volta. Nos meus domingos, a placidez e a tristeza predominam aqui dentro, dando uma sensação de vazio e de conforto ao mesmo tempo. Nos meus domingos, um processo de sinestesia se inicia, e os aromas viram cores, as cores evocam melodias e as melodias despertam cheiros, até me remeter ao cheiro do seu corpo que eu sentia naqueles dias em que você acordava ao meu lado, com beijos e segredos ditos baixinho no seu ouvido; em que eu te amava devagarzinho e sempre; em que o tempo nos sabotava, passando mais rápido quando ficávamos juntos. Naqueles dias, em que os domingos não eram meus e encontrar você não se limitava a uma conexão de sinapses e nostalgia.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

platônico

Por favor, não me peça atenção. Nada do que você fale me soará mais interessante do que poder contemplar todos os pedacinhos que compõem seu ser, um a um, até me perder por completo na anatomia imperfeita do seu corpo. Basta uma palavra sua e meus olhos já percorrem lentamente seus lábios, olhos, pescoço, até entrarem em êxtase por encontrar uma manchinha escondida na nuca, despertando minha curiosidade em saber o quê mais existe em você que eu ainda não conheço. Vou estudando minuciosamente todos seus movimentos, trejeitos e manias, sem deixar você perceber que nosso diálogo virou um monólogo desde o começo. Você já detém a atenção de todas; uma a menos não faria diferença. Então, ignore meu semblante de fascínio e deixa-me aqui, divagando como seria se esses detalhes seus acordassem ao meu lado todos os dias.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

deixa ser

Tinha tudo para não ser. Estava resolvido, decidido, martelo batido. Não era para 3 dias virarem mais de 8. Nem para Recife virar trecho de ponte aérea. E, muito menos, Billie Jean virar música romântica. Mas, foi.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

meu plano

Eu sei, a culpa é minha. Eu que provoquei esse abismo entre nós quando resolvi sumir. Mas, não foi por despeito ou para fazer joguinho de gato e rato, até porque a gente sabe que, nesse jogo, ninguém sai ganhando, e eu não jogo para perder, inclusive meu tempo.

Era só por um período, até eu conseguir assimilar que o real sentido das suas palavras destoava completamente do que eu entendia. Porque, antes, meu coração, sempre tendencioso e narcisista, tinha tomado o controle da situação e me impedia de enxergar que o vínculo que me unia a você já não era o mesmo que unia você a mim. A relação da gente passou de direta para inversamente proporcional, e era eu que me encontrava numa desvantagem gritante.

Mas, você não entendeu. E eu não podia justificar essa ausência e correr o risco de vê-lo sair correndo e nunca mais voltar. E, no meu plano, não existia a margem de erro que impedisse que eu voltasse. Eu sempre voltaria.

Também achei que meus anseios, tão latentes ao ponto de serem vistos a olhos nus, bastariam como explicação. Por isso, foquei somente nos meus passos, perfilhando tudo que me faria nivelar meus sentimentos aos seus, e não pensei nos efeitos colaterais que atingiriam você. Só que, de alguma forma, isso tudo o influenciou.

E agora, estamos aqui, separados por esse buraco negro, que tentamos tapar com conversas educadas e muita hipocrisia, fingindo que nada mudou.

domingo, 2 de agosto de 2009

defeito de fábrica

- pô, meu celular endoidou.
-como assim endoidou?
- eu aperto na tecla e ele não disca.
-aahhhhh já? Não era um aparelho do caralho, de última geração?
- ele é do caralho, mas tá dando defeito.
-querido, a única coisa aqui que é do caralho, mas que dá defeito, sou eu!

sexta-feira, 31 de julho de 2009

esfregando o ego no asfalto

- Você me despreza, não é?
- Se eu pensasse em você, provavelmente o desprezaria.

(diálogo do filme Casa Blanca)

quarta-feira, 29 de julho de 2009

ponto de partida

Eu me perdi. Você me confundiu tanto que acabou misturando todos meus sentidos e abalando minha pouca noção de direção. Agora, eu já não sei ao certo onde ficam os pontos cardeais . Muito menos para onde ir. Minha bússola apenas aponta na localização oposta da sua. Acho que já é um bom começo.
Aqui dentro, nenhuma novidade. Ninguém sai, ninguém entra. Existem portas que não se arrombam.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

desassossego

Encontrar você me desconcerta. Eu sei que não deveria ser assim, afinal, eu trancafiei você na minha caixinha de Pandora e nunca mais me permiti abri-la, porque tudo que mexe comigo está lá dentro e agora, mais do que nunca, eu preciso de sossego. Eu também me imunizei mentalmente, condicionando minha cabeça a desviar os meus pensamentos para outra direção sempre que você aparece de relance neles.

Mas, é só seu olhar ir de encontro ao meu e todo meu corpo entra em colapso. Meu coração, que já vinha numa batida sôfrega e lenta por tristeza de funcionar sem você, bate em descompasso, como se quisesse acompanhar o ritmo do seu. Enquanto isso, eu faço um esforço sobre-humano para me manter de pé, porque minhas pernas já entraram em dormência profunda, atrapalhando minha vontade de sair correndo dali e evitar que você perceba meu rosto ruborizar. Em fração de segundos, você rouba meu oxigênio e me impede de pensar com coerência, misturando o certo e o errado e espantando de vez toda a razão que me protege de você.

Então, quando me encontrar na rua, entenda se eu desviar seu olhar do meu. É que eu ainda preciso de todo meu corpo funcionando em cadência constante para que eu consiga dar um passo à frente e deixar você para trás.

domingo, 26 de julho de 2009

Alta noite já se ia
Quando finalmente conseguiste escutar
Os pensamentos que tentaste calar
Entre as buzinas dos carros
E o caos da manhã

Mas tão logo que te permites divagar
Já surge um inconsciente bloqueio
Que te faz não querer mais pensar
Sobre o que te fez chegar onde estás

É concebível para ti
Viver nesse conflito interno
Entre o “se” e o não
Criando um plano paralelo

Ressuscitando personagens
Nesse palco de alucinação
Montas um enredo quase que perfeito
De amor, luxúria e tentação

Mas a aurora te desperta
Dessa doce e suave fantasia
De que é possível construir castelos
Com migalhas de lembrança e nostalgia

É quando atentas então
Para a crua realidade
De que o que refúgio que criaste
Não passa de uma fina mistura
De ficção, memórias e contraste

quinta-feira, 23 de julho de 2009

à francesa

Eu fui embora. Sem despedidas, sem surpresa e sem adeus. Apenas um post-it amarelado, na cabeceira, dizendo "chegou a hora". Era o suficiente. Mais palavras não mudariam o que já estava condenado a ser efêmero.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

com licença, você vai embora

Eu resolvi esquecer você. A partir de hoje, evitarei encontros , sejam os casuais, os propositais e até os de olhares. Mas, se por acaso eu falhar e der de cara com você, não me venha com abraços e conversinhas no pé do ouvido, só para tentar me amolecer. Acabarei com as mensagens fofas e ébrias de madrugada que, de alguma forma, terminam me levando até você, porque eu que comecei com essa mania e tenho todo direito de terminar com ela.

Esqueça as ligações intermináveis, em que falávamos coisas só de nós dois. E, mais ainda, aquelas em que nada se conversava e que apenas pairava um silêncio profundo, mesmo que se estivesse desmaiando de sono, ou às vezes até dormindo, porque a vontade naquele momento era apenas a de sentir o outro perto.

Você se resumirá a mais um capítulo mal resolvido e bem encerrado, cheio de reticências e espaços em branco, onde não existe mais "eu e você", assim, unidos por uma conjunção aditiva. E sim você, de um lado, e eu, no outro extremo, separados por um ponto final.

Mas, para isso, terei que fazer uso de todas as minhas forças mentais e esgotar todo o meu potencial de racionalidade, mesmo que eu corra o risco de sofrer um AVC. Só assim eu consigo condicionar a minha cabeça a mandar no meu coração. Porque esse ainda não pensa, só sente. E, ultimamente, sente muito a sua falta.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

quanto mais eu rezo...

Para me livrar de assombração,
larguei o terço
e virei agnóstica

Para me livrar de você
tomei whisky
e vergonha na cara

segunda-feira, 29 de junho de 2009

2 pés atrás

Eu acredito tanto em você que, se você me der "bom dia", eu vou correr até a janela para conferir se ainda está claro lá fora.

auto-sabotagem

Eu cai no seu jogo. Logo eu, toda desconfiada, toda cética, toda calejada por outros tipinhos ordinários que se aproveitaram do meu coração virgem de canalhices e me deixaram cheia de marcas e mecanismos de defesa.
Eu, que às vezes desconfio até de mim mesma, pois minha própria cabeça já me confundiu algumas vezes e me deixou desse jeito, andando como se pisasse em ovos o tempo inteiro.
Eu, que no mínimo sinal de perigo, já disparo uma sirene de ambulância dentro de mim, que me alerta para sair correndo e pular fora.
Mesmo assim, eu acreditei em você.
Óbvio que não dei ouvidos a muita coisa. Sabia que algumas palavras que saiam da sua boca, sem o menor compromisso e disparate, faziam parte do seu repertório. Mas, de alguma forma, me deixei levar.
Quando dei por mim, eu era sua, e você era apenas um personagem, com pseudo-sentimentos e frases de efeito. Mas, não foi mérito seu.
Eu é que fui tola e não percebi que, enquanto prestava atenção nos seus passos para não ser enganada por você, meu próprio coração, em conluio com meu inconsciente, já me sabotavam e estavam prestes a me trair.

domingo, 28 de junho de 2009

Pus minha mão no fogo. Sabia que poderia me queimar. Mas, curiosa e inconsequente que sou, resolvi arriscar. Resultado: queimadura em terceiro grau, embora a sensação fora como a de um balde de água fria.

Neverland

Eu não corri de você. Apenas me refugiei num lugar onde seu cheiro jamais vai alcançar. Aqui, eu não sinto sua falta. Mesmo fazendo esforço, não consigo lembrar dos seus beijos, sorrisos e nem da sua voz. Não sei mais dizer se você tem cicatrizes ou sinais no rosto. Tampouco se foi sua inteligência, doçura ou jeito que me seduziu.
Sua imagem se reduziu a um vulto cinza e embassado.
Onde eu me encontro, você é apenas ilusão. Algo que não existiu de fato, só em pensamento. E hoje, esses pensamentos sequer existem mais.
E, mesmo que um dia eu sinta necessidade de preencher algum vazio e queira lembrar tudo que representa você, vai ser impossível. Pois eu não sei o caminho de volta.
Não perca tempo tentando me achar. Não acho que você seja capaz de encontrar.
Eu fugi para a realidade, meu bem.





Racumim

Acordei sem ar, com um aperto no peito e um nó na garganta. Fiz um raio-x e vi o estrago. Coração e cabeça intoxicados. Extrai você de mim. Não tive escolha: sou alérgica a veneno para rato.


TPM

é o direito de ser bipolar, a cada mês, entre 5 e 7 dias.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

prazer de comer bem

Cozinhe
tempere
jogue pimenta
e sal à gosto

mas, depois de comer
não venha me dizer
que o gás acabou
e me negar fogo

Prendado

Pode me cozinhar
Pintar e bordar
À vontade

Só deixe avisado
quando você cansar
de brincar de dona de casa

Fora de moda

Avisem a Lispector
Que essa coisa
De gostar do que não presta
Do malfeito
E inacabado
Ficou démodé


*referência a um escrito de Clarice Lispector. Para quem não conhece:

"O que obviamente não presta sempre me interessou muito. Gosto de um modo carinhoso do inacabado, do malfeito, daquilo que desajeitadamente tenta um pequeno vôo e cai sem graça no chão"

Fofinhos: um mal desnecessário

Homem é tudo farinha do mesmo saco. Toda mulher já falou e todo homem já cansou de escutar essa frase, seguida, é claro, de uma forte batida de telefone na cara. Mas, por mais brilhante e perfeita que essa frase possa parecer, ela não é de um todo verídica. Sim, porque a ala masculina que se encaixa no padrão “não valho um chiclete ploc grudado embaixo de corrimão”, comporta subdivisões. Vamos a elas.

Existe o calhorda “fraco de conteúdo” que, tendo consciência de sua incompetência em atrair mulheres e mantê-las volitivamente ao seu lado até o fim da noite, mira no alvo mais fraco do recinto. Este, geralmente, é uma ex-gordinha recém lipoaspirada que, embora possa ser inteligente e descolada, não reestruturou sua auto-estima, que varia entre -2 e -4, numa escala de 0 a 10.

De cara, o sujeito já a trata por “linda”, “princesa”, sendo o suficiente para a cidadã se achar o lançamento da temporada (embora esteja mais para uma Fanta Uva na última prateleira do supermercado) e se atirar nele, com o pensamento “balançou a rede, é gol”.

A figura do carente também é digna de nota (e de pena). De estado emocional transtornado e comportamento efusivo, ele vai em busca de uma mulher para dar e buscar afeto em doses absurdamente excessivas, sem se dar conta de que seu problema seria resolvido com uma ida ao pet shop.

Por conta disso, sua pesquisa de campo deve ser a mais minuciosa possível, porque se o cara for investir numa mulher que não seja sua alma gêmea, vai se foder bonito. Afinal, não existe coisa mais insuportável do que homem que, depois que fica com você, gruda feito piche, já escolhe o nome dos seus filhos e liga cinco minutos depois que te deixou em casa para perguntar se o percurso portaria-elevador-porta de casa foi bem sucedido. Portanto, tem que achar uma cidadã carente, do tipo recém-corneada pela irmã (ou irmão, o que é pior), que, estando totalmente desacreditada no amor e refletindo entre virar assexuada ou entrar pra um convento, resolveu se jogar na night e tentar uma última vez.

Não se pode esquecer do sonso. Aquele tipinho que a-d-o-r-a pagar de namorado perfeito, principalmente para sua família e suas amigas. Vira melhor amigo do seu irmão, sai pra beber com você e suas amigas sem nenhuma companhia masculina, vira a casaca por conta do sogro, leva os seus sobrinhos pro Gamestation dia de domingo, mas, numa segunda-feira, em horário comercial, está comendo a colega do escritório e ainda pagando amor para ela. Pudor não é nada, imagem é tudo.

Esses tipos, apesar de repugnantes, são identificáveis por qualquer mulher que já tenha uma vivência considerável, e termina não sendo muito sofrível, sendo às vezes até engraçado, conviver com eles e se livrar deles.

No entanto, existe um espécime que inferniza a vida de qualquer mulher e que tem se proliferado feito praga: o famigerado tipo fofinho. Não conheço uma menina que, uma vez envolvida, nunca se apaixonou por um. E, principalmente, nenhuma que tenha saído ilesa.

O fofinho é aquele sujeito tímido por natureza e que, por ter plena consciência do que pode conseguir com esse jeitinho, usa sua timidez em seu favor. Especialmente quando a questão é chegar em alguém. Tirando poucas ocasiões de desespero e nível acentuado de álcool no sangue, o fofinho não gosta de tomar a iniciativa. Seu approach não passa de algumas olhadas e sorrisinhos, seguidos de uma cabeça baixa. Como ele não chega perto, a mulher se aproxima e ensaia uma conversinha mediana, torcendo para ter um mínimo feedback. Nada acontece, nada evolui. O cara continua ali, rindo, o que deixa a mulher intrigada e extremamente agoniada, fazendo-a cogitar o porquê de o cidadão não se manifestar. As menos modestas chegam à conclusão (super estúpida) de que ele só não age porque não tem coragem, porém muita vontade de que ela dê o primeiro passo, afinal, o mundo de hoje é extremamente liberal e não existe nada mais moderno do que iniciar a ficada e agarrar o menino, não é?! NÃO. Por mais encabulado, quando o fofinho quer, o fofinho beija. Só que ele aprendeu, provavelmente com meninas como essa, que essa tática, além de cômoda, garante fácil pegar gente sem correr o risco de levar um não e sair de ego ferido.

Caso seja uma menina com mais discernimento, o carinha, logo que perceber isso, vai fingir ser um esforço sobre-humano unir todas as suas forças e capacidade de eloqüência para pedir um beijo, sabendo que esse pedido vai causar um efeito semelhante ao de uma caixa de Prozac, pois a maioria das mulheres acham que fazer um garoto tímido agir dessa forma é caso digno de prêmio Nobel.

Apóstolos de Roberto Jeferson, esses monstrinhos têm o magnânimo dom de virar qualquer situação a seu favor. Mesmo sendo réus confessos da maior cagada universal de todos os tempos, um simples “desculpaaa…” com aquela voz e vocabulário de criança e uma carinha de pedinte (que, em se fazendo um esforço, fica quase possível visualizar uma auréola acima de suas cabeças), é capaz de fazer não só com que sejam perdoados, como também nos fazer sentir culpadas por termos cometido o sacrilégio de brigar com aqueles seres tão puros e inocentes. Caso não convença muito, o que é quase impossível, ele acaba apelando para uma atuação teatral. Isso mesmo. Abre o berreiro e desabafa todo o amor (que poderia ter sido expressado há anos) que sente pela mocinha e confessa que sem ela seu mundo desaba. (cafona, piegas, mas o PIOR é que cola).

Isso vale para esquecimento de aniversário de namoro, bolo de compromisso inadiável e marcado com uma semana de antecedência, pegação aloprada quando vocês resolveram dar “um tempo”… e por aí vai, a depender da relação diretamente proporcional timidez x cara de pau.

Essa tática pode ser usada o quanto se fizer necessária, sem correr o perigo de ser considerada manjada, e independente de ser a mulher uma tabaca-lesa ou encarnação de Hitler.

Depois disso tudo, em meio a um surto de consciência que dura, no máximo, uma semana, a namorada decide não se sujeitar mais e terminar tudo, tentando reaver sua dignidade de volta. É aí que o fofinho se supera. Convence não só a ex, bem como todos os amigos e familiares, o quão injustiçado e desprezado foi, pela tamanha falta de tato da bruxa infeliz que não aceita seu jeito “recluso e inseguro de ser”, fazendo com que a menina seja bombardeada e tenha que ouvir desaforos do tipo “como você foi dispensar um menino bom desses?! Com esse seu gênio, vai terminar sozinha”.

Resultado: nesse momento, a namorada, com a dignidade na lama, se sente uma mula e, depois de muito tempo de reflexão, resolve voltar pro fofinho. Nesse meio tempo, o fofinho já está a perigo, soltando sorrisinhos tímidos e escolhendo a próxima patinha que vai cair no jogo dele.

Portanto meninas, no mínimo indício de qualquer dessas características, fiquem com um pé atrás: pode se tratar de um monstrinho. E caso você não perceba e venha a passar por tudo isso, ou já tenha passado, fica de lição: depois de um fofinho, você dá um nó em qualquer tipo de homem. É aposta ganha.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

de amor, só se morre uma vez
dizia o poeta
jamais ouvi tamanha tolice, retruquei
eu mesma
já morri mais de duas
só neste último mês

combustão

fugaz
como fogo em palha seca
termina
em caixão e vela preta

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Eu não quero mais você. Agora, não mais. Eu sei que é chocante, e parece intriguinha de garota mimada só para chamar sua atenção, já que eu sempre me derreto só de ouvir sua voz e vou até você toda vez que você sinaliza me querer. Noutros tempos, ficaria uma semana em casa, enfiada embaixo do edredon, só de pensar em não te ter por perto, à minha vista ou nos meus pensamentos. Não agüentaria dizer isso assim, tão abertamente, correndo risco de nunca mais sentir você dentro de mim.


Mas, agora é diferente. Hoje eu quero ficar só e poder sentir meu coração realmente vazio. Quero ouvir Chet Baker e Radiohead e não ter ninguém em quem pensar. E, quem sabe, até sofrer por isso. Ter certeza de que “felizes para sempre” é coisa de roteirista meia boca, que não sabe como concluir uma história e empurra essa balela antes dos créditos finais só para a gente sair sorrindo do cinema e não atestar sua incompetência. Quero ter minhas noites de insônia tentando organizar a bagunça da minha vida e ver que você sequer apareceu de relance na minha faxina mental, ou que, no mínimo, foi parar embaixo do tapete, junto com as sujeirinhas que a gente nao faz questão de guardar. Quero me frustrar e perder meu dia porque não tenho mais inspiração pros meus textos tristes e melancólicos.Quero acreditar em Quintana quando ele diz que "é tão bom morrer de amor e continuar vivendo".


Só espero que esquecer você também seja somente uma questão de querer.

Da minha pior dor
És o principal culpado
então, me ajude a te esquecer
assim eu paro de escrever sobre você
e acabo de vez com essa tendinite

sexta-feira, 19 de junho de 2009

ponto de ebulição

Já me disseram que você me leva na conversa
em banho maria
eu discordo
acho que você me cozinha, sim
mas em alta potência

quinta-feira, 4 de junho de 2009

era uma vez... e nunca mais

São quase cinco da manhã. Você ainda dorme e eu preciso ir embora. Me perdoe, meu bem, mas hoje eu não vou me despedir. Antes de levantar da cama, eu não vou beijar seus olhos e esperar eles sorrirem de volta para mim, como faço quase todas as manhãs. E nem continuar ao seu lado, abraçada a você, querendo que o tempo pare naquele momento. Acredite, nada me faria mais feliz do que esperar você tirar as peças de roupa que vou vestindo, só para eu ficar deitada com você um pouco mais. Mas, eu não vou. Não dessa vez. Não vou agüentar sentir o peso dos seus olhos seguindo meus passos em direção à porta, até eu virar para trás e vê-lo me espiar, com o cobertor até o nariz.


Porque, diferente das outras vezes, eu não pretendo voltar.


A culpa não é sua. É que eu ainda não consegui distinguir quando seu “não” quer dizer sim, e quando seu “sim” não quer dizer absolutamente nada. Ou, talvez, minha cabeça esteja confusa demais para recorrer às minhas aulas de interpretação de texto do colegial e tentar decodificar suas mensagens subliminares, bem como fazer com que você entenda que “não sei” não é resposta, independentemente da pergunta que se faça.

Falta equilíbrio emocional em mim para suportar seu comportamento volúvel de menino mimado, que quer tudo, mas não sabe o que esse tudo representa.


Pode até ser que eu sinta sua falta e perceba o quão difícil é encontrar outra pessoa que agüente meus momentos de brabeza e consiga me adular até me deixar calminha e doce novamente. Mas, nesse momento, eu não tenho mais forças para catar seus defeitinhos e montar um quebra-cabeça para decifrar você, porque hoje sou eu que me encontro aos pedaços.


Por isso, dessa vez, eu vou somente olhar para trás, confirmar que seus olhos ainda estão fechados e saber que deixá-lo dormindo foi a melhor coisa que eu poderia ter feito.

Porque eu ainda não aprendi a ser amada pela metade, enquanto eu amo por inteiro.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Com o tempo, tudo passa. O que não passa, a gente passa por cima.

domingo, 10 de maio de 2009

Do lado de dentro

Se, num dia qualquer, eu bater a sua porta, você promete me deixar entrar? É que às vezes eu sinto essa necessidade premente de não ficar só e você, mais do que ninguém, consegue me fazer sentir completa. Eu deixo você conhecer meus segredos, aqueles que eu guardo numa caixinha imaginária, do lado do travesseiro. Mas, eu vou querer saber as suas verdades, aquelas só suas, e vou querer fazer parte delas também.
Prometo entender seus medos, mas você vai conviver com os meus e ter que dormir com o abajur aceso, porque você já conhece meu medo de escuro. Eu divido minhas alegrias e meu edredom com você. Mas, você vai ter que parar de fugir de mim toda vez que se assusta ou fica com medo do inseguro, porque ficar junto é muito mais do que certeza e segurança. Eu prometo te dar um beijo todo dia de manhã, e à noite também, além de outras coisinhas mais. Mas você vai ter que me prometer carinho e chocolates no domingo.
Você vai conhecer meus ciúmes bobos e minhas manias, e vai aprender a aceitá-los, porque eu sou muito mais fofa do que tudo isso e você não vai resistir. E vai entender também quando eu inventar brigas sem motivo e começar a chorar só para quebrar o gelo, porque eu tenho horror quando as coisas tendem a ficar entediantes. E se, num dia qualquer, eu tentar fugir de você e for embora, prometo não demorar em voltar. Porque você sabe que eu só faço isso por puro charme e pra ter certeza de que você me quer.
Então, quando eu bater, me deixa ficar pra sempre? Mas faça isso logo, e depressa. Antes que esse sentimento todo acabe e eu pare de me imaginar com você.

quando eu te encontrar
vou regular teu relógio
marcar a hora certa
para você nunca se atrasar

porque o desejo tem pressa
não quer saber dessa conversa
de demorar em chegar

Mas, quando estiver contigo
eu quero que o relógio quebre
que os ponteiros não se acertem
fazendo o tempo parar

porque, com você
tudo fica tão perfeito
que até o relógio quebrado
volta a funcionar

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Untitled

Bem que poderia ter sido diferente.
Você poderia não ter esse jeitinho tímido irresistível. Muito menos esse ar enigmático e essa mania de soltar comentários impertinentes quando bebe. Poderia não mexer comigo de uma forma que ninguém mais mexe. Poderia gostar de música brega, forró e axé. Poderia não beijar tão maravilhosamente bem. E não ser tão doce , inclusive quando eu não mereço. Poderia não me deixar ficar com o lado direito da cama, só porque eu tenho um transtorno obsessivo que não me deixa dormir do outro lado. Nem me desculpar quando eu tenho meus ataques insanos e brigo com você. Sem dúvidas, poderia não ser mais inteligente do que eu, me dando uma chance de resposta. Poderia ser canalha, grosso e pedante. E olhar pra mim sem notar que eu estou observando você há horas. Poderia me ligar sem que isso fizesse meu coração sair pela boca , tampouco me tocar e falar no meu ouvido sem que eu me arrepiasse inteira. Poderia me pedir para ficar e nunca mais me deixar ir embora. Poderia não ser tão dificil de esquecer.
Bem que poderia ter sido diferente.

Eu poderia não ter me apaixonado por você.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Inferno astral existe. Eu juro.

Sempre fui dessas pessoas céticas, chatinhas mesmo, de contestar tudo aquilo que não se baseie em uma fórmula empírica einsteiniana. Uma das coisas que mais me irrita no mundo é a tal da astrologia e a sua massa de seguidores idiotas que acreditam e vivem a vida em função de horóscopo de jornal. Como o simples fato de, no dia em que você nasceu, saturno estar mais próximo da terra e júpiter não estar alinhado com o sol pode influenciar na sua personalidade? Com certeza, a astrologia foi criada por um desses seres com QI dois pontos acima do de uma ostra, que se aproveitou na imensa quantidade de topeiras que existem no mundo para fazer crível essa tese.


Pois bem, retiro tudo o que eu disse. O inferno astral existe, eu juro. Passei muito tempo resistindo à sua existência, mas os anos me mostraram, quase que esfregando na minha cara, que ele está aí, bombando e infernizando a vida de todo mundo. Se fosse mentira, como explicar a quantidade de merda que acontece com você mais ou menos um mês antes do seu aniversário? Se somar todos os acontecimentos infelizes dos outros meses do ano, não dá nem metade. É como se Murphy tivesse dado uma camada de pau no seu anjo da guarda e ocupasse o lugar dele.


Por isso que você, em míseros trinta dias, consegue bater o carro, afogar seu celular na privada, caminhar no calçadão e pisar em cocô de cachorro, ter uma TPM interminável, quebrar um dente (se você ainda não tiver tirado os sisos, a hora vai ser essa) e pegar a gripe da estação. Se não tiver nenhuma, com certeza seu organismo vai absorver algum vírus transmitido por um ácaro que veio do sul da malásia, mas você vai ficar doente. É fato.


É por isso que se ganha presente no dia do aniversário. Não é uma forma que todos têm de expressar carinho e comemorar seu nascimento, e sim um prêmio de consolação por ter conseguido sobreviver a esse trânsito astrológico, em que Deus vira as costas pra você e diz “se vira”.


Portanto, se você for sábio (e vagabundo), fique em casa durante esse tempinho, arriscando somente jogar um dominó ou paciência no baralho (nem use computador, é capaz de pifar só em você ligar). Caso você tenha vida própria, se abrace num galho de arruda, vá se benzer e não conte com a sorte: ela vai estar bem longe de você.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Eu tive certeza. Desde aquele meio sorriso torto, puxado pro canto da boca, eu tive certeza de que você seria meu fim.
Eu queria muito estar errada e achar que era fruto dessa minha mania de gostar do que é esquisito. Torci para você ser alienado, superficial e junkie, daquele tipinho que vive em baladas e cujas programações são típicas de alcoólatras da meia idade.
Desse jeito, seria mais fácil. Não sentiria tanto a sua falta quando você resolve sumir por dias, e nem ficaria tão feliz quando você me procura depois dizendo estar com saudades. Não me sentiria uma completa idiota quando você me irrita e depois vem com palavrinhas doces e infantis. Não dormiria tão fácil só por sentir você perto. Eu, logo eu, que sofro de insônias terríveis. Não ficaria horas imaginando o que se passa na sua cabeça quando você me olha sério por minutos e não diz uma palavra. Nem passaria um segundo sequer olhando você dormir, sem me mexer para não perturbar seu sono. Muito menos demoraria tanto num abraço quanto nos que dou em você, com vontade de não largar nunca mais. Não perderia esse meu jeito sério com tanta facilidade, ficando desconcertada, só por estar ao seu lado. Mas, principalmente, não teria tanta raiva quando você tem seus ataques de grosserias fora de hora, sem motivo e sem pedir desculpas, me ignorando e deixando meu coração apertadinho de angústia e saudade.
Da próxima vez, não sorria para mim.

Crise da Baixa Estação

A Semana Santa é o prenúncio do fim do verão e também do começo de uma era de desespero, afinal, é o último feriado antes de fechar o ciclo das programações de veraneio e, com isso, a última oportunidade de descolar alguém para passar o inverno com você. É preocupante a quantidade de relacionamentos que têm início nesse período. Se você pensar direitinho, com certeza já teve algum namoro que começou nessa data. É a famosa “Crise da Baixa Estação”. Explico.

Já no início de setembro, quando o calendário anuncia a enxurrada de feriados imprensados e o buraco da camada de ozônio começa a ser notado devido ao calor descomunal que inferniza nossas vidas e transforma nossas peles em óleo de peroba, acontece um movimento diferenciado nos trópicos. As academias de ginástica começam a encher, as roupas vão diminuindo de comprimento e, coincidentemente, os namoros vão ficando balançados e chegando ao seu fim. Os neurônios, em ebulição na cachola, entram em choque, deixando as pessoas eufóricas, desesperadas por farra e no maior clima de pegação desenfreada. Está, então, declarada a abertura do verão.

Daí até o carnaval, a história é a mesma: ninguém é de ninguém, rasteira e balão é bóia e cu de bêbado não tem dono. Quem acha que nunca levou um zignaldo nesse período é porque é iludido e nunca se deu conta.

Passado esse trânsito apocalíptico, as pessoas já estão com as baterias quase no fim. Por incrível que pareça, ninguém agüenta mais cerveja quente, já está todo mundo com um bronze “errei no blush”, tipo Vera Fisher (isso se não estiver descamando, parecendo indícios de vitiligo) e as programações na praia já deram o que tinham que dar.

É neste exato momento que se considera instalada a Crise da Baixa Estação. As pessoas começam a refletir que a chegada do inverno é inversamente proporcional ao seu estado civil atual (solteiro). A simples idéia de se imaginar sozinho nessa época é capaz de gerar uma síncope nos seres humanos mais independentes e livres. Então, mulheres e homens dão inicio a uma maratona para tentar engatar algum zé perdido que também esteja no desespero (ou solidão) e deseje se comprometer. E aí vale apelar pra tudo: renovar namoro (aqueeeeeele namoro que você terminou em setembro alegando crise existencial), ligar para uma das pessoas que você simplesmente lançou o “beijo-não-me-liga-é-carnaval” em Olinda ou, na pior e última das hipóteses, encher a cara de pitu no show de Vitor e Léo, catar o ser mais tosco do estabelecimento, enchê-lo (a) de cana e falar em namoro quando este está praticamente lambendo o chão e chamando urubu de meu lôro.

Enfim, não importa com quem ou qual seja o nível de comprometimento; o fato é que a idéia de não ter uma companhia para tomar um vinho, ficar no friozinho e aproveitar as poucas programações que existem durante a estação chuvosa (e que só dão pra fazer acompanhado) é simplesmente inconcebível. Não se trata de usar ninguém; é apenas um pacto unilateral para suprir uma carência eventual, que vai durar até o sol voltar a arder. E aí começa tudo de novo.

Boa Semana Santa para todos.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

O problema não é você; Embora, de fato, seja.

Acho que todo ser humano que se preze já está familiarizado com o conceito de pé na bunda. Seja no pólo ativo (dando) ou no passivo (recebendo), o fato é que ninguém está imune aos efeitos de um “zignaldo”. Para nós, mulheres, é muito chato ter que dispensar alguém; e quando isso está prestes a acontecer, sonha-se como seria perfeito se uma intervenção divina fizesse a pessoa desistir da gente também, conhecesse outra mulher, descobrisse que era gay, enfim, qualquer coisa que nos poupasse de ter esse tipo de conversa desagradabilíssima de foi-mal-amigo-não-te-quero-mais. Pior ainda é quando o cidadão é daqueles que interpreta um sonoro NÃO da forma mais subjetiva possível, achando que pode ser TPM, insegurança, insanidade temporária, dor de barriga, o caralho à quatro, menos que a gente não quer mais.

Aliás, eu não sei bem se isso é o suprassumo da carência, somado a uma dose absurda de pegajosidade e prepotência, ou se esses homens acham que mulher é tudo um bando de zé tabaca que dá um beijo e já quer namorar, e ficam sem entender quando a gente simplesmente não quer nada.

Para essas pessoas, o tratamento precisa ser mais delicado. Não basta uma boa conversa sincera. Aliás, sinceridade não é uma opção. A única solução é aplicar o TGM (Truque da Galinha Morta). É uma versão mais moderna do “Se Fazer de Morta pra Comer o Coveiro”, que deriva da velha, porém infalível, Arte de se Fazer de Doida, utilizada desde os tempos da pedra lascada.
Uma das táticas baseia-se no jargão “o problema não é você, sou eu”. Consiste basicamente em atribuir a si própria toda e qualquer responsabilidade pelo fora. E aí vale apelar para tudo: ex-namorado, lado profissional, reflexão que a faça encontrar seu “eu interior”, enfim, qualquer desculpa cretina que o faça achar que o problema não é com ele.

Vale também elogiar muito o cara (mentir mesmo, pode inventar), assim eleva a auto-estima dele e ele vai pensar que a culpa é sua mesmo, porque só sendo muito doida pra dispensar um cara tão legal. E quanto mais detalhes, mais crível ficará sua desculpa. E, para isso, você pode juntar todas as desculpas num caso só. O diálogo fica mais ou menos assim: “Olha, você é um cara muito legal, inteligente, simpático, divertido, culto, e se eu tivesse bem, com certeza teríamos um relacionamento bacana. Acontece que eu acabei de sair de um namoro super conturbado, meu ex era muito possessivo, e agora que eu finalmente terminei, sinto a necessidade de ficar só, aproveitar a solteirice, afinal eu namorei por muito tempo e nunca tive a oportunidade de sair sozinha com minhas amigas, só mulheres. E por ter ficado muito tempo com uma pessoa só, as personalidades da gente acabam se misturando e eu quero ficar sem ninguém para poder encontrar minha verdadeira essência.” Blá- blá- blá. Aconselho falar tudo num fôlego só, tipo apresentação de trabalho de história na 7ª série.

Resultado: ou o cara enlouquece com a conversa e desiste só para a gente parar de falar, ou então ele realmente acredita e não tenta nem argumentar. E o melhor de tudo: sai com a auto-estima intacta e você com peso zero na consciência, crente que vai ser canonizada por tamanha boa ação.

Uma outra forma, com certeza, toda mulher já usou. É o tal do dar o número errado do telefone. Essa serve para aqueles carinhas que ficam encharcando na night e que soltam “só deixo você em paz quando tiver seu telefone”. Mas é bem arriscado, porque certos homens simplesmente acham que a gente é débil mental o suficiente para ter a capacidade de errar nosso próprio telefone celular e, ainda, quando nos encontram novamente, às vezes até acompanhada, falam “olha, acho que você me deu o número errado”.

Isso vale também para aqueles que você, topeiramente, deu o numero certo, ou então pegou seu número com uma amiga muito da filha da puta, e você bina insistentemente. Também está sujeito a dar errado, porque o cara, se for daqueles extremamente otimistas, nível versão masculina de Pollyana Menina, pode pensar que você não atende número desconhecido, que seu celular vive no silencioso ou que você só usa telefone nos finais de semana. E ainda pode piorar, se a pessoa decide se utilizar do recurso “mensagem de texto” e pedir pelo amor de Deus que você atenda, nem que seja para dizer que não quer mais nada. Puta merda, meu amigo, se Deus, o todo poderoso, escreve certo por linhas tortas, porque eu não posso fazer isso também, binando você insistentemente?!

Resumo da ópera: não tem aquela história de que, quando o homem quer, ele liga?! Pronto, com as mulheres é quase a mesma coisa. Quando a gente quer, a gente atende, a gente dá o numero certo e, principalmente, a gente nunca, eu disse NUNCA, vai dispensar um cara bacana porque acabamos de terminar um namoro complicado. Nós não temos o mínimo problema em demonstrar interesse, e se o cara for legal mesmo e a mulher for desinibida, existe até a chance de ela tomar a iniciativa e ligar para você.

Então, relaxem garotos, porque a maioria dos homens nasce com anti-corpos para combater os males de um fora. É da natureza masculina saber levar um ré e seguir em frente. Se acaso alguns de vocês não têm essa genética, dêem um jeito, recorram a terapias, vacinas, células-tronco se for preciso, mas aprendam, de uma vez por todas, a levar um dispense e manter sua dignidade. O Ministério da Saúde agradece.

A gente finge. E bem.

Eu achava que o universo feminino era bastante conhecido entre os homens, mas, depois de um tempo, vi o quão equivocada eu estava. Principalmente no que diz respeito ao orgasmo. Deixa eu contar uma coisa, meninos: as mulheres fingem. É verdade sim, mesmo que sua namorada esteja do seu lado dizendo que é mentira minha. No fundo ela está pensando “essa rapariga quer foder meu namoro!”. Amiga, antes que eu consiga foder seu namoro, é melhor você confessar ao seu namorado que você também finge, senão quem vai acabar sem foder aqui é você.

Pois é, gente. Mulheres fingem mesmo. E não é porque são frígidas ou inexperientes. Essa inclusive é uma das grandes vantagens de ser do sexo frágil. Enquanto os homens broxam por conta do cansaço, estresse do cotidiano, e ainda têm que ouvir aquela balela da amada “amor, relaxa, acontece com todo mundo” (acontece uma porra com todo mundo!), nós, mulheres, podemos nos utilizar desse artifício divino para escapar de algumas situações desconfortáveis e sem deixar nossos parceiros frustrados e ainda com mais chances de broxar na próxima vez.

Mas, antes que a ala feminina me entenda mal, explico que a culpa para apelarmos para esse espetáculo teatral de gritos e gemidos é dos homens. Exato, da macharia que acha que abala o bangu em chamas. Essa turminha vê um videozinho chinfrim de pornô-chanchada e se acha o Alexandre Frota da geração. Para os fãs e adeptos, gostaria de avisar que aqueles vídeos de Alexandre Frota só podem ser para veados, porque mulher não sente tesão por um coroa, ex-galã global, que fazia sucesso em novela das oito quando a gente nem conseguia ficar acordada até esse horário. Além disso, se acesso ao youporn.com ajudasse, a indústria de apetrechos sexuais pararia de fabricar vibrador.

Continuando, o problema é que os homens já chegam chegando, se achando a última coca-cola (light, por favor) do deserto. Tem uns que até curtem umas preliminares (o que é um ponto positivo), mas terminam vacilando logo nela. Vão logo avacalhando, achando que o clitóris é um botão “player” que tem escrito “keep pressing all night long”. Para os leigos, explico: da mesma forma que apertar forte e inúmeras vezes o botão do elevador não vai fazê-lo chegar mais rápido, apertar a membrana feminina dessa forma não vai fazer a mulher gozar.
Pior é quando tentam dar uma de viris e descolados e rasgam nossa melhor lingerie de 300 reais, com a mais pura convicção de que vamos ver estrelas de tanta excitação por tal gesto demasiadamente cavalo. Gente, eu sei que às vezes é complicado segurar o ímpeto sexual, mas façam um esforcinho e dêem uma olhadinha na etiqueta da calcinha antes. É fácil: Renner, Marisa, okay, vai em frente. Fruit de La Passion, favor retirar delicadamente.

Outro fator importantíssimo: nossos cabelos fantásticos não são crinas de cavalos selvagens para serem puxados com toda força durante o sexo. Nós gastamos tempo e dinheiro para que eles ficassem lindos daquele jeito, e gostaríamos se, ao menos, eles pudessem continuar presos ao nosso couro cabeludo. Existem mulheres que curtem uma certa violência na cama; acho até saudável esse tipo de expressão sexual, mas saibam que não é um consenso geral. Essa frase idiota de “toda mulher gosta de apanhar, mas nem todo homem gosta de bater” do sadomasoquista do Nelson Rodrigues deve ser para justificar a falta de approach e aderência dele.

Pulando para o “vamos ver”, (tem vezes que a mulherada termina sem ver nada) a macharia termina sendo egoísta. Só quer saber de atingir o clímax, não pensa no prazer em comum, e termina fazendo de qualquer jeito, apressado mesmo, tipo cadela no cio. É o famoso “self-service”: comeu, acabou, lavrou. Na boa, a tecnologia avançou, já existem réplicas perfeitas de boneca inflável da Preta Gil (para os mais excêntricos) à Luana Piovanni, a seu gosto e critério. Mas não, os mocinhos se recusam a apelar para as moças emborrachadas e terminam descontando na gente com aquele sexo mecânico, que mais parece uma simulação com o Robocop na velocidade 3, sem nem sequer inovar na posição (papai-mamãe = “pegar na bunda é coca-cola”).

Aí, o que acontece: a mulher vai ficando emputecida e acaba fingindo que está gozando também, pra terminar logo aquela palhaçada. Dá lá seus gemidos, faz seu papel de boa parceira sexual, e já fica pensando que vai trocar aquela blusa da Ralph Lauren que comprou de aniversário para ele pela versão atualizada do Kamasutra.

Portanto, garotos que se encaixam no perfil, sejam mais perspicazes na hora H, porque olhar para a cara de suposta satisfação da sua companheira não é garantia de boa performance; vocês vão terminar nadando e morrendo na praia (leia-se: levando chute na bunda ou um par de gaia). E também vão perceber como suas namoradas vão começar a ter enxaquecas alucinantes com absurda freqüência e ficar menstruadas mais de uma vez no mês.

Acontece com todo mundo

Tem dias que você acorda e se sente a pessoa mais burra do mundo?! Não entende as piadas do seriado que reprisa mais do que Chaves do SBT ou tenta formular uma frase, que nem precisa ser tão brilhante, que sempre termina incompleta por falta de léxico?!

Comigo isso acontece. Mas, só quando a noite anterior envolveu álcool. Sim, eu sei, o álcool mata os neurônios aos poucos, mas esqueceram de dizer que também paralisa as suas funções vitais por, no mínimo, 24hs.

E quando você sai em dia útil? (sim, porque no fim de semana você até pode curtir uma ressaca tranqüila, sem se preocupar com sua eloqüência e desempenho do seu cérebro). Aí você sai numa terça-feira, totalmente despretensiosa, pensando “só vou naquele pub tomar uma cervejinha e meia- noite estarei em casa”. Ah, a doce arte de se “auto-enganar a si própria consigo mesma”.

A cervejinha está quente, ou não tem aquele rótulo alemão que você a-d-o-r-a. Seja qual for o motivo (e sempre vai existir um, acredite) você termina mudando para uma bebida mais pesada. Nessa hora, tem que levar em consideração o fator “forma de elaboração da bebida”, pois você sabe que mudar de destilado pra fermentado vai lhe custar uma ressaca homérica. Você nem cogita não beber para evitar a ressaca; Já está conformada com o fato de que vai beber. O que está em questão agora é como amenizá-la. Aí, tem que ir pro vinho. E começam os pedidos: uma garrafa de vinho pra dividir com uma amiga, mais duas garrafinhas de água sem gás (na boa, quem bebe água com gás e diz que gosta tem o paladar mais cu do mundo) pra intercalar com o vinho e não ficar tão bêbada.

Começa a brincadeira: primeiro vem a frescura de olhar a rolha, cheirar o vinho, deixar decantar, dar uma rodadinha na taça e dizer “pode servir”. Pode estar avinagrado, uma bosta, mas você nem tem noção disso, é só pra fazer a chinfra mesmo, até porque você não vai dizer ao garçom que não entende, né?! Aliás, isso é muito foda. Não é só enólogo que bebe vinho, os meros mortais também gostam e por não quererem se sentir constrangidos, terminam fazendo esse teatrinho patético para o garçom achar que você entende (ham ram, impressionar o garçom).

Daí, já passa pra segunda garrafa de vinho, porque a primeira tava boazinha e a sensação de que seus pés não são cheios de joanetes, mas de plumas e nuvens que fazem você flutuar quando anda, faz você achar que pode pedir outra. Agora, já deixaram a garrafinha de água de lado e foram pra frente do palco aparecer pro vocalista gatinho, se achando a pica de Brennand, sem ter noção de que parecem ter saído de uma festa de Halloween, com os dentes e lábios roxos.

Depois do mico todo, ainda termina se pegando com um gatinho fim de festa (sim, você também era fim de festa para ele…ou você só se tornou atrativa depois de embriagada, com a boca roxa e o bar vazio?) .O bar quase fechando, o garçom chega com a conta, quase que implorando para se livrar dessas figuras. Aí, o carinha resolve esticar a festinha no apartamento dele, e decide comprar mais uma garrafa de vinho. Você já está muito bem (bem Amy Winehouse), mas decide aceitar, até porque, no dia em que um bêbado disser que já está bêbado o suficiente e suspender a bebida, eu me interno no A.A.


Entra outra garrafa, e vem mais meia hora de conversa merda com o carinha e suas amigas (você não iria sozinha ao apartamento de um cara que acabou de conhecer, né?) e voltam às 5 horas da manhã, rezando pra sua piscada de olho não demorar mais do que 1 segundo e você enfiar o carro no poste.

Três horas de sono pesado, babando no travesseiro e o despertador toca lembrando que está na hora de se matar. Uma escola de samba dentro da sua cabeça e você tenta entrar no chuveiro pra ir trabalhar. Chega ao trabalho exalando álcool, mas super simpática porque ainda está bêbada, e acha que consegue (des)enrolar tudo . Até que bate 16hs. Pronto. O relógio pára, o Big Ben pára, até o Congresso pára e você fica puta com Cazuza porque ele te prometeu, em poesia, que “o tempo não pára”. É nessa hora que seu chefe chega e pede para você terminar um “job” ainda hoje, porque precisa ser enviado para a puta que o pariu até às 18hs! Pronto, aí vem o drama da jumentice por álcool e você manda o criador do slogan “aprecie com moderação” para a merda por não tê-lo colocado também nos rótulos de vinho.

Você espreme o cérebro, tenta extrair o sumo dos seus neurônios, toma um litro de café, mas não consegue escrever uma porra de uma frase coerente. Nem pra copiar e colar você tem discernimento. Vai escrevendo sem pensar e repetindo a palavra FUDEU seguidamente, porque a única coisa que o álcool não prejudicou foi a sua dicção.

Enfim, seu trabalho fica uma bosta, seu chefe fica puto, você fica com o moral na sarjeta, e volta pra casa ouvindo um blues melancólico. Quando chega em casa pensando que seu azar tinha se esgotado, vai no orkut procurar pelo carinha que você ficou ontem (você não lembra o nome, mas sabe que ele gravou no seu telefone e sai procurando um nome estranho na agenda, de um por um) e vê que o cara, além de ser o maior zé tabaco, gordinho e feioso, tem alguma outra doente mental na vida dele, que atende por n-a-m-o-r-a-d-a!

Aí você tira duas conclusões: uma é que burrice não se mede por QI, mas pelo nível de álcool ingerido. E a outra é que você, pelo menos, (ao contrário da namorada do zé) só fica cega quando bebe.

Lei da Selva

Deixou de coisa de mulher mal amada, para se tornar fato incontroverso, a escassez de homens certinhos, que gostem de manter um relacionamento sério e maduro. Estes deixaram de estar em fartura nas prateleiras do mercado, para ocupar lojinhas de antiguidade.

A maioria das solteiras, quando são indagadas sobre seu estado civil, refletem a razão dessa substituição súbita e gradativa dos cavalheiros pelos calhordas. Mas, verdade seja dita – acreditem, é duro admiti-la- essas relíquias masculinas estão praticamente extintas (os que sobraram viraram a casaca ou rebolam com um bambolê no dedo) por culpa do comportamento feminino, ou melhor, por conta do feminismo exacerbado pregado nas últimas décadas. Vou explicar.

As mulheres, cansadas de serem sempre tratadas com submissão por seus homens, quiseram se igualar a eles em todos os aspectos. Daí, vieram as ondas feministas e elas foram, aos poucos, ganhando seu espaço. Só que, no âmbito afetivo, a coisa degringolou. Sabe aquele dito popular “quem nunca comeu melado, quando come, se lambuza”? Pronto. Bastou um pouco de autonomia para dar azo à galinhagem desenfreada e a pegação descompromissada. Nada contra a expressão saudável da sexualidade feminina, mas algumas mocinhas passaram por cima da linha um tanto tênue que dividia direitos iguais e putaria.

Assim como a ala masculina, as mocinhas começaram também a marcar no placar quantas bocas foram beijadas (algumas à força) em uma noite, quantos machos foram comidos por elas, transformando a expressão comer em unissex. Aquelas que um dia se auto-intitularam “eu sou pra casar”, hoje se enquadram no contexto “eu quero mais é dar”.

O que acontece? Um cidadão inocente, que tinha a melhor das intenções e jamais contribuiu para a massificação social dos canalhas, foi iludido, comido e mal pago por uma dessas moças que, com ar de puta e pudor zero na consciência, passou por cima do pobre, sem dó nem piedade.

E aí, o ciclo vicioso: aquele bonzinho, arrasado por esse comportamento animal, vê que o único jeito de se sair bem nessa história e reaver sua dignidade,ou pelo menos diminuir a dor de corno, é dar o troco na mesma moeda, mas não necessariamente com a mesma mulher, que a essa hora já deve rodado a catraca mais umas 6 ou 20 vezes. Acaba, então, se juntando ao grupo dos calhordas e diminuindo as raras espécimes do sexo masculino tão procuradas pelas mocinhas sanguinárias. Afinal, liberdade só é conveniente quando diz respeito à nossa.

É a lei da selva, onde só sobrevive o homem mais canalha… e a mulher também!